Enquanto os fabricantes nacionais projetam queda de mais de 13% para o mercado brasileiro de automóveis (carros de passeio e comerciais leves), no fechamento deste ano, os importadores têm uma cenário mais desanimador pela frente. É que apesar da alta de 20%, registrada no mês passado, em relação a fevereiro, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), que representa 29 marcas, entre elas Audi, BMW, Chery, Dodge, Ferrari, JAC, Jaguar, Kia, Land Rover, Porsche, Rolls-Royce, SsangYong, Suzuki e Volvo, contabiliza perdas de quase 22% neste ano, uma retração cinco pontos percentuais superior à computada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

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"Tivemos uma reação isolada em março, com alta de 19,8% em relação a fevereiro, mas ainda é cedo para fazermos qualquer previsão de reação do mercado", disse o presidente da Abeifa, Marcel Visconde, que classifica os números do primeiro trimestre como "preocupantes". O volume alcançado no mês passado é 9,2% inferior ao do mesmo período de 2014 e, de acordo com ele, os importadores estimam uma queda de 10%, para 2015.

Na contramão da crise do setor automotivo e até mesmo do mantra da economia de mercado, que prega que a interação das curvas de demanda e de oferta determina o preço dos produtos, os modelos zero-quilômetro já sofreram um reajuste de mais de 2%, só no primeiro trimestre.

O cenário de retração perdura há mais de dois anos (-1,6%, em 2013, e -6,9%, em 2014), mas essa inversão lógica foi aplicada até mesmo quando o governo estendeu o desconto nas alíquotas do IPI, para ajudar as montadoras a reduzirem seus estoques, e algumas marcas chegaram a reajustar seus preços em 5%.

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A explicação pode estar mais longe do que se imagina, afinal, só entre janeiro e setembro de 2014, os fabricantes instalados no país enviaram US$ 2,57 bilhões - o equivalente a mais de R$ 8 bilhões - como remessa de lucro para suas matrizes, no exterior, segundo dados do Banco Central. O valor representava, na época, 15,7% dos pagamentos de dividendos feitos por todos os setores da economia nacional.