Diante da turbulência enfrentada pela economia nacional, o exíguo grupo de economistas que ainda acreditava em um ano de crescimento econômico para o País sucumbe diante das evidências apresentadas pelas revisões dos números do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo a Focus Economics, que acompanha 28 instituições financeiras e consultorias, apenas cinco ainda preveem uma trajetória mais 'aprazível' para o PIB deste ano, que ia de estabilidade a ligeiro avanço de 0,6%, de acordo com as previsões feitas no começo de março.

Uma delas, porém, a britânica Oxford Economics, revisou o número para baixo, cravando uma queda de 1,3% para 2015.

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Já para a BBVA Research haverá alta de 0,6%, embora a consultoria não descarte corte no percentual em virtude do aperto fiscal e das implicações da Operação Lava-Jato.

O restrito grupo dos 'otimistas' ainda reúne quatro instituições - saliente-se, todas estrangeiras - que ainda colocam suas fichas numa economia que, ainda que não cresça a taxas mais robustas, ao menos não se reduziria. São elas: BBVA Research, já mencionada; o Banco Tokyo-Mitsubishi, que em seu relatório para a América Latina vê um cenário de estabilidade; a Capital Economics e o Banco de Crédito del Perú, ambos com previsão de alta de 0,5%.

De acordo com o economista da Capital Economics, Neil Sharing, ainda que muitas dúvidas pairem no cenário conturbado, alguns fatores ajudarão a economia brasileira no médio prazo, como a intensa desvalorização da moeda nacional, que contribuiria com as exportações do País, ao lado do que denomina de "afrouxamento da austeridade" em 2016, o que elevaria o crescimento para algo próximo a 1,5%.

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"Mas sinceramente eu não diria que estamos otimistas", diz Shearing.

Ainda segundo Shearing, o Brasil tem capacidade de crescer algo como 4% a 5%, desde que assuma políticas que contribuam efetivamente com o desenvolvimento econômico, como reformas no sistema tributário e no mercado de trabalho, com o firme compromisso de facear o desafio da mudança do modelo de crescimento, baseado fortemente no consumo, para um modelo alicerçado em taxas mais altas de poupança e investimentos, através da premente adoção de grandes reformas fiscais.