Os motores de três cilindros não são, exatamente, uma novidade no universo automotivo. Do seu implemento, no final dos anos 70, à sua nova fase, como os atuais redentores da economia, muito foi feito para que esta configuração vencesse o preconceito. "Maiores níveis de ruído e vibração são uma característica desse tipo de motorização", afirma o engenheiro mecânico, Maurício Trielli, professor-doutor da Universidade de São Paulo (USP).

Mas se, por um lado, avanços tecnológicos e de balanceamento fazem os propulsores atuais quase tão suaves e silenciosos quanto as unidades de quatro cilindros, por outro, os brasileiros merecem saber que as opções disponíveis no mercado nacional são versões "low-tech", sem sobrealimentação ou injeção direta de combustível.

Publicidade
Publicidade

"Redução dos custos de produção e maior competitividade são o foco de modelos como o Mirage", afirma diretor sênior de planejamento de produto da Mitsubishi, Bryan Arnett, referindo-se ao compacto da marca japonesa que não é vendido no Brasil, mas que segue a mesma receita dos novos Ford Ka, Nissan March e Volkswagen Up!. "Essa configuração também determina redução de peso, colaborando para um melhor desempenho sem necessidade de aumento da potência", conclui o diretor.

O que vem motivando a adoção de motores de três cilindros pelos fabricantes nacionais é a otimização dos lucros - não é à toa que, hoje, eles estão presentes em 41% dos populares brasileiros. Como essa configuração tem menor custo de produção, ela significa maior rentabilidade para a indústria. "Os consumidores do segmento de entrada têm visto, nos motores de três cilindros, a tecnologia, a economia e a relação custo/benefício que eles procuram", afirma o gerente de marketing da Ford, André Leite.

Publicidade

Realmente, os números declarados comprovam a maior eficiência desta configuração, mas não é preciso ir muito longe para ver do que uma unidade de última geração é capaz.

O novo Mini Cooper, por exemplo, traz sob o capô o moderno Twin Power Turbo, um motor turboalimentado de três cilindros (1.5 litro 12V), com injeção direta de gasolina e nada menos que 136 cv, capaz de levá-lo de 0 a 100 km/h em menos de 8,5 segundos e à velocidade máxima de mais de 205 km/h. Este motor, que ainda conta com comandos de válvulas variáveis em tempo de abertura e curso, determina uma autonomia de mais de 21,5 km/l.

"Com o modelo da primeira geração, nossa média ficava na casa de 16,1 km/l", lembra o gerente norte-americano de planejamento da Mini, Patrick McKenna. "Naquela época, os consumidores já achavam que um automóvel compacto tinha que ser mais econômico e, hoje, a eficiência é o terceiro atributo mais valorizado por nossos clientes, atrás apenas de estilo e performance", conclui.

O primeiro três cilindros "high-tech" brasileiro só deve aparecer no final deste ano, quando a Ford implementa sua unidade EcoBoost no EcoSport.

Publicidade

O propulsor é a versão de altas performance e eficiência do 1.0 litro 12V que é usado pelo novo Ka, com adição de injeção direta e turbocompressor. Estima-se que ele gere 130 cv de potência. #Negócios #Inovação