A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) inaugurou oficialmente sua nova fábrica brasileira, em Goiana (Pernambuco), onde já produz o Jeep Renegade, desde o final de fevereiro. A planta, que emprega mais de 5.300 trabalhadores em sua linha de montagem e nas dos sistemistas em seu entorno, tem capacidade de produção de 260 mil unidades anuais e consumiu R$ 7 bilhões em investimentos - R$ 3 bi só na Jeep. Ao todo, são 260 mil metros quadrados de área construída - os fornecedores ocupam outros 270 mil metros quadrados - e nada menos que 700 robôs e prensas de última geração, naquela que é alardeada como a unidade mais moderna do grupo, em nível mundial.

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"Vimos, em Pernambuco, uma verdadeira revolução", disse o diretor-executivo (CEO) da FCA, Sergio Marchione, que recebeu a presidente Dilma Rousseff para a cerimônia, cercada de toda pompa e circunstância. "Dois terços do que foi investido aqui, em Goiana, vieram de fundos nacionais e do BNDS, além de incentivos fiscais", enfatizou ela. "O Brasil quer ser uma das bases de inovação da indústria automotiva mundial e o Governo Federal não medirá esforços para que isso ocorra".

No momento em que o mercado brasileiro enfrenta um período de retração, muito tem se falado em exportação, mas a verdade é que a nova fábrica da FCA parece a única, dentre todas as instaladas no país, que tem condições de suprir o mercado global. O vice-presidente de manufatura da FCA, Stefan Ketter, ressalta que a planta foi construída e entra em operação integrando os mais modernos conceitos de manufatura, o World Class Manufacturing (WCM).

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"Da parte administrativa às trocas de matrizes das prensas, que levam apenas quatro minutos, permitindo a estampagem de 48 mil partes a cada turno de oito hora, para 1.200 veículos, todos os processos são inovadores", explica Ketter.

A realidade da nova fábrica de Goiana é bem diferente da maioria das unidades da indústria automotiva brasileira. "A qualidade do produto nacional é insatisfatória e, há quatro anos, os índices de avaliação vêm caindo", avalia a diretora da Prada Assessoria, Letícia Costa. Apenas para o leitor ter uma ideia, a engenheira de produto da Volkswagen, Josy Santos, conta que a estamparia de uma autopeça, nas plantas do Leste Europeu requer um homem, uma ferramenta e uma máquina, contra quatro homens, quatro ferramentas e quatro máquinas, no Brasil.

"No Brasil, a produtividade é de 500 unidades por hora, contra 1.500 unidades, nessas fábricas", acrescenta Josy.

Com todo um complexo industrial "zero-quilômetro", a FCA se prepara para liderar o setor automotivo brasileiro, também em termos de eficiência, afinal, 40% do maquinário usado no país tem entre dez e mais de 20 anos de idade - é um ferramental que não consegue produzir as novas gerações, vendidas nos Estados Unidos e Europa.

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Também no tópico emprego, a planta de Goiana promete reverter a tendência de dispensas do setor, alcançando 9.000 postos de #Trabalho efetivos, até o final deste ano.

Além do Renegade, até o final de 2016, a fábrica pernambucana também produzirá a primeira picape média da Fiat e um outro modelo da Jeep. #Negócios #Automobilismo