O financiamento de veículos, modalidade que, no Brasil, chegou a responder por quase 20% de todo o crédito concedido às famílias, vem perdendo fôlego e, para este ano, promete um desempenho ainda mais risível do que no ano passado. Conquanto a inadimplência esteja próxima da mínima histórica, o estoque de empréstimos tende a seguir em queda nesta modalidade, após os aumentos na taxa de juros verificados neste primeiro trimestre. Até mesmo o mercado de veículos usados, que trouxe algum ânimo no ano passado, agora perde espaço.

O que salta aos olhos é que o desempenho do crédito tem sido ainda mais crítico que o das vendas de veículos, que despencaram 17% nos primeiros três meses do ano em relação ao igual período do ano passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a Fenabre.

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De acordo com os dados da Cetip, responsável pelo registro de operações de financiamento de veículos, a parcela financiada das vendas alcançou 32,7% em fevereiro, o mais baixo patamar da série histórica que teve início em janeiro de 2007.

Um outro fator que pesa sobremaneira na tomada de crédito, além da queda nas vendas, é o elevamento das taxas de juros, propiciado pelo aumento da Selic - índice que baliza as taxas de juros cobradas no país -, e a desconfiança de tomadores na assunção de dívidas de prazos mais longos. "O cenário tem se desenrolado de forma pior que o previsto. As projeções do começo do ano para crédito de veículos parecem otimistas agora", salienta Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef, associação responsável pelos bancos de montadoras.

Em 2014, incluindo CDC e Leasing, o saldo de operações de financiamento de veículos fechou em R$ 212,7 bilhões, apontando recuo de 7% ante 2013.

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Foram desembolsados no ano passado cerca de R$ 119 bilhões, avanço de 1,3%. Hoje em dia, o estoque de operações de crédito de veículos alcança aproximadamente 12,7% do total de créditos às famílias.

O fim do incentivo do IPI também foi apontado como responsável pela desaceleração da tomada de empréstimos, bem como o fato do não crescimento da renda e da diminuição dos índices de confiança dos consumidores, estes dois últimos fatores tendo peso preponderante junto à busca pelo crédito. Estima-se, porém, que o crescimento possa ser verificado no segundo semestre do ano, dado que o volume de vendas normalmente é maior neste período.