Com uma previsão de queda para este ano de 12%, o mercado brasileiro de automóveis deposita suas esperanças nos utilitários-esportivos (SUVs), mais especificamente nos modelos compactos. Nesta semana, o Peugeot 2008 se juntou aos novos Renegade, da Jeep, e HR-V, da Honda, para fazer frente à dupla formada por Ford EcoSport e Renault Duster que, até agora, davam as cartas na categoria. As estimativas comerciais de todos os fabricantes é otimista, mas será que este nicho crescerá tanto quanto o esperado?

"Neste momento, não dá para fazer previsões em relação aos números do segmento, mas esperamos que o Duster mantenha a mesma participação de 2014", disse o diretor de marketing da Renault, Bruno Hohmann.

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"O HR-V vai expandir nossa base de clientes, no país. Esperamos vender 50 mil unidades deste modelo até o final deste ano", projeta o diretor comercial da Honda, Sérgio Bessa.

Na Mercedes-Benz, que acaba de realinhar a gama GLA com uma nova versão "de entrada", 200 Style, que parte de R$ 128,9 mil, o otimismo é ainda maior: "Só nos primeiros seis meses de mercado do modelo, poderíamos ter vendido 30% a mais. Faltou oferta, mas, até o final deste ano, comercializaremos 6.000 unidades", prevê o gerente de vendas da marca, Dirlei Dias.

No ano passado, o SUVs responderam por 8,5% das vendas nacionais, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automores (Fenabrave). Com 48.866 unidades emplacadas em 2014, o Duster teve uma participação de 16,3%, ficando atrás apenas do Ford EcoSport que licenciou 54.263 unidades, abocanhando uma fatia de 18,2%.

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Pois bem, só no mês passado, quando o Honda HR-V emplacou suas primeiras 2.382 unidades, a liderança da dupla formada por EcoSport (3.265 unidades) e Duster (2.657 unidades) já se viu ameaçada. É que, em março, o HR-V alcançou uma participação de 11,1% e, é bom lembrar, que Renegade e 2008 também vão dividir o bolo, a partir deste mês.

Mas aqui há um problema matemático: as marcas que acabam de ingressar neste nicho comutam de um grande otimismo, mas suas expectativas comerciais jogam os números desta categoria para o Olimpo. É que, mesmo que Ford e Renault perdessem 10% de suas vendas, entre os SUVs, seria necessário que este nicho crescesse 120%, em 2015, para acomodar os volumes com que contam Honda, Jeep e Peugeot - isso sem falar na JAC, com seu T6.

Em outras palavras, precisaríamos saltar de pouco mais de 67 mil unidades, registradas em 2014, para algo acima de 145 mil unidades. O problema é que, no primeiro trimestre deste ano, os SUVs amargaram queda de 14,5%, no mercado brasileiro, e não há nada que aponte para uma recuperação tão espetacular até dezembro.