Foram 50 anos de músculos, alta potência e um ronco gutural. Bom, os fãs do Chevrolet Camaro podem torcer o nariz, mas a sexta geração do esportivo terá o retorno de um motor de quatro cilindros na versão de entrada. É verdade que não estamos falando de um modelo manco, afinal, a unidade turboalimentada (LTG Ecotec, 2.0 litros 16V) conta com injeção direta e desenvolve expressivos 279 cv, força suficiente para levá-lo de 0 a 100 km/h em menos de 6 s, com uma autonomia rodoviária de 12,7 km/l - dados fornecidos pela General Motors. "Para os entusiastas, estamos falando de um automóvel que mantém seu estilo icônico e oferece desempenho ainda melhor", disse o diretor de produtos da GM, Mark Reuss.

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"Já para a nova geração de consumidores, apresentamos um esportivo que incorpora nossas tecnologias mais inovadoras e muita eficiência".

O Camaro 2016 foi revelado no último sábado, dia 16, no Parque Belle Isle, em Detroit. As vendas da sexta geração começam no último trimestre deste ano, nos Estados Unidos, inicialmente em duas versões: LT e SS - o ZL1 fica, que é a cereja do bolo, fica para depois. Outros dois propulsores completam a gama, um V6 3.6 litros 24V, com injeção direta, desativação de cilindros e 340 cv, e um V8 6.2 litros - que também ganha injeção direta - de 461 cv.

A badalação do lançamento não esconde uma certa desconfiança, em relação à nova motorização. "Este Camaro não tem nada a ver com o 'Iron Duke' da década de 80", garante o diretor de engenharia da GM, Al Oppenheiser, se referindo à versão de 85 cv, lançada em 1982, eleita pela revista "Time" como um dos "50 Piores Carros de Todos os Tempos".

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E os números não mentem: o novo LTG Ecotec de 279 cv é mais potente que muitos 'small-blocks' de antigamente.

A sexta geração usa a mesma plataforma (GM Alpha) dos Cadillac ATS e CTS, mas 70% dos componentes do cupê são exclusivos - a geração atual comuta muitas partes com o Holden VF Commodore australiano, vendido no Brasil como o novo Omega. A mudança estrutural também determinou o emagrecimento do Camaro 2016, que ficou 90 quilos mais leve, além de abolir o freio de mão invertido, que tinha acionamento incômodo e ganhou comando elétrico. A versão SS agora oferece, opcionalmente, ajuste magneto-reológico (MRC) para carga de amortecimento, antes exclusivo do bombástico ZL1.

"Esta nova versão de entrada será muito acessível e, com a redução de massa, qualquer motorista vai sentir a evolução", aposta Oppenheiser - hoje, o Camaro parte de US$ 23.705, nos Estados Unidos, o equivalente a R$ 71.260. Na verdade, a nova geração tem a missão de recuperar a liderança de seu segmento, no mercado doméstico, e superar o arquirrival Mustang.

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Em 2011, por exemplo, as vendas do cupê da Chevrolet superaram as 88.200 unidades. Já o primeiro quadrimestre deste ano, o Ford alcançou a marca de 42.955 unidades, contra pouco mais de 24 mil unidades do Camaro.

Os trens de força são combinados com um câmbio manual de seis marchas ou a nova transmissão automática de oito velocidades, com opção de trocas sequenciais por aletas no volante. No painel de instrumentos, mais um aspecto tradicional do cupê foi preservado, com mostradores analógicos - bom, na verdade o quadro de película final (TFT) emula os mostradores analógicos - e uma tela sensível ao toque de 8 polegadas no console frontal com navegador por satélite embarcado.

Sem data para desembarque no Brasil, tudo indica que o novo Camaro só será visto por aqui no segundo semestre do ano que vem. Com a valorização da moeda norte-americana, a tendência é que ele encareça em relação ao modelo atual. #Automobilismo #Inovação