O mercado brasileiro de automóveis pode fechar este ano com uma queda de até 25% em relação a 2014. A previsão não é das mais pessimistas, visto que o presidente da subsidiária sul-americana da General Motors, Jaime Ardila, reconheceu que "no ritmo atual, as perdas podem superar os 20%". Os números de abril, divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mostram uma retração de 6,3% em relação a março e de mais de 24% sobre o mesmo mês do ano passado.



"Só nestes primeiros quatro meses, cerca de 250 concessionários fecharam as portas em todo o país", disse o presidente da entidade, Alarico Assumpção. De acordo com ele, os revendedores já demitiram 12 mil trabalhadores, número que pode chegar a alarmantes 40 mil até dezembro.

Além dos carros de passeio e comerciais leves, que viram seus licenciamentos encolherem mais de 18% neste primeiro quadrimestre, o segmento dos pesados apresenta números ainda piores: quedas de 11%, em relação a março; de 42,6% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 35,4%, entre janeiro e abril, comparado ao mesmo intervalo de 2014.

Publicidade
Publicidade

No setor de duas rodas, as perdas acumuladas neste ano são de 10,6%, mesma tendência observada nos implementos rodoviários (-49,6%) e máquinas agrícolas (-20,2%).

A indústria, que também segue demitindo, se defende dizendo que o aumento das alíquotas do IPI e o crédito mais seletivo impactaram negativamente nos licenciamentos, mas os preços do zero-quilômetro não param de subir - até agora, 2,5%, em média, em quatro meses. No ABC, a Volkswagen deu férias coletivas para 8.000 operários até o dia 14 deste mês para "adequar seu volume de produção à demanda do mercado" e a GM afastou mais de 460 metalúrgicos em São Caetano do Sul. Nos pátios, os estoques correspondem a 50 dias de vendas, mas a indústria automotiva brasileira teima em não rever sua política.

"Os fabricantes têm que sustentar sua lucratividade, mas isso só será possível através de uma reestruturação", avalia o consultor Stephan Keese, sócio-diretor da Roland Berger Strategy.

Publicidade

Essa reestruturação passa pelo aumento da competitividade das montadoras brasileiras, que terão que exportar mais para compensar as perdas do mercado interno.

A verdade é que após baterem no limite daquilo que o consumidor brasileiro tem condições de pagar, os preços altíssimos dos 0 km acabaram revelando que, para além da enorme carga tributária, há muito ganho embutido nos valores. Sabendo disso, os compradores, simplesmente, não aceitam mais pagá-los.



A #Crise de confiança não pode ser vista, apenas, como algo institucional. Os brasileiros não acreditam mais no governo, independentemente do partido que está no poder, mas também não engolem mais as desculpas das montadoras. #Negócios #Automobilismo