Foi bom enquanto durou: o Ford EcoSport reinou absoluto por mais de uma década no mercado brasileiro, até o ano passado, mas não resistiu à avalanche de novidades

Depois que a dupla formada por Honda HR-V e Jeep Renegade se somou à forte concorrência do Renault Duster, o primeiro utilitário-esportivo (SUV) nacional viu seu cetro mudar de mãos. Lançado em fevereiro de 2003, o EcoSport foi um pioneiro entre os SUVs "made in Brazil" e chegou a ter quase 70% de participação neste segmento. Há dez anos, suas 17.115 unidades vendidas só entre janeiro e maio correspondiam a 66% do bolo da categoria e os adversários que vinham em seguida, Mitsubishi Pajero (TR4, Sport e Full, com 14,4%) e pelo Chevrolet Blazer (5,7%) não faziam frente à hegemonia do Ford.

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Foi um tempo em que os utilitários-esportivos representavam pouco mais de 4% do mercado brasileiro. De lá para cá, as coisas mudaram muito, mas não totalmente. Entre janeiro e maio de 2010, os SUVs saltaram das menos de 26 mil unidades, licenciadas nos cinco primeiros meses de 2005, para mais de 80 mil veículos. Entre os líderes, o EcoSport mantinha a ponta com 17.250 unidades emplacadas e uma fatia de 21,5%, seguido pelo Tucson, da Hyundai (18,5%), pelos três Pajero (10%), pelo Chevrolet Captiva (7,2%) e pelo Honda CR-V (7,1%).

Quinze anos depois, os SUVs respondem por mais de 8% das vendas nacionais, mas o EcoSport sucumbiu à nova geração de utilitários-esportivos, que agora também atendem pela denominação de 'crossovers'. Os 14% de participação que ainda garantiram a liderança do segmento para o Ford, entre janeiro e maio deste ano, vão se esvaindo e, se a curva de mercado do modelo se mantiver, o HR-V já aparecerá em primeiro, no fechamento deste mês.

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Certo é que, de julho, o EcoSport não passa como ponteiro.

No início de abril, a Ford lançou uma grande - e cara - campanha com o filme publicitário "Filhos da Mãe Natureza", em que reforçava o lado aventureiro do EcoSport. "A campanha destaca que o modelo expressa liberdade, mostrando as funcionalidades que fazem dele o líder da categoria", disse o gerente geral de marketing da montadora, Oswaldo Ramos, no lançamento. O tiro saiu pela culatra e as vendas do modelo caíram nos últimos dois meses - as quedas foram de 10,5%, em abril, e 3,3%, em maio.

A verdade é que, hoje, o EcoSport perdeu o 'sex appel' e até mesmo seu estepe de fixação externa, na tampa do porta-malas, remete a uma moda que passou. O acabamento mediano, que evolui muito da primeira para a segunda geração, é bom frisar, também não sobressai diante de concorrentes mais qualificados. Maior e mais robusto, o Renault Duster sai, no mínimo, R$ 5 mil mais em conta que o Ford, que parte de salgadíssimos R$ 72 mil, na versão Freestyle 1.6, mesmo valor do novíssimo Renegade, da Jeep.

Em maio, o EcoSport ficou com uma fatia de 11% entre os SUVs, contra mais de 20% do HR-V. É uma dinastia que chega ao fim. #Negócios #Automobilismo #Inovação