As conversas de bastidores sobre uma fusão entre a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e a General Motors ganharam um novo personagem, nesta semana: o gigante de serviços financeiros Morgan Stanley.

O banco de investimentos estaria “escondendo o jogo” em favor da GM, restringindo a atuação de seus analistas que foram desautorizados a dar recomendações ou discriminação de preços sobre as companhias. De acordo com o jornal norte-americano “Automotive News”, especializado na cobertura do setor, o Morgan Stanley estaria pronto para uma contraofensiva, caso os investidores ativistas encampados pela FCA seguissem pressionando a presidente-executiva (CEO) da GM, Mary Barra, para uma fusão.

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Esse grupo de investidores, que poderia adquirir uma parcela do capital da General Motors para implementar mudanças administrativas na companhia, agora bate de frente com o Morgan Stanley que, ao que tudo indica, vai usar de toda sua influência para convencer os acionistas a barrarem a fusão. Nunca é demais lembrar que o atual presidente da GM, Dan Ammann, bem como Stephen Girsky, um dos homens mais fortes do conselho da empresa, já trabalharam no Morgan Stanley.

A posição do gigante financeiro ficou clara depois do “cala a boca” imposto ao seu diretor de pesquisas automotivas, Adam Jonas, um dos únicos analistas do setor que defende a ideia de uma consolidação entre a General Motors e outra peso pesado da indústria. No final de maio, ele avaliou que o anúncio da recompra de ações acordada entre a GM e seus acionistas, em um programa de R$ 5 bilhões – mais de R$ 15,5 bilhões – não impulsionou o valor dos papéis da companhia, apesar de ter evitado a eclosão de uma guerra pelo poder dentro da empresa.

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De acordo com Jonas, a General Motors deveria, sim, considerar uma fusão como a sugerida pelo CEO da FCA, Sergio Marchionne. “Podemos estimar uma economia anual de US$ 1 bilhão – o equivalente a mais de R$ 3,1 bilhões – anual com uma aliança”, avaliou.

O Morgan Stanley participou ativamente da reestruturação da GM, promovida em 2009 junto à corte de falências norte-americana, e atuou em sua defesa quando, no início deste ano, o Tesouro Nacional dos Estados Unidos e quatro fundos de cobertura pressionaram o fabricante para uma recompra de suas ações. Antes disso, em 2012, quando a General Motors esteve perto de fechar uma aliança com a PSA Peugeot-Citroën, o banco de investimentos já tinha escondido suas análises financeiras sobre a companhia.

Por falar na PSA, a agência “Bloomberg” noticiou que, apesar de não ter desistido do casamento com a General Motors, a FCA já está cortejando o grupo francês. O fato de suas marcas atuarem em nichos de mercado bastante parecidos poderia gerar uma sinergia maior, com grande economia de escala, rentabilizando o negócio para ambas as partes.

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A sul-coreana Hyundai, a japonesa Honda e até mesmo a alemã Volkswagen também estariam na mira da FCA. Em relação à VW, os germânicos têm medo da família Agnelli, clã que controla a Fiat desde sua fundação. #Negócios #Automobilismo #EUA