Enquanto o mercado brasileiro de automóveis refaz suas contas e estima uma queda de mais de 20%, para este ano, os segmentos de luxo comemoram ganhos e trabalham com projeções para lá de otimistas.

"Nossa expectativa é de batermos a meta de crescimento na casa de dois dígitos, neste ano", afirmou o diretor-executivo (CEO) da subsidiária nacional da Audi, Jörg Hofmann. Enquanto o setor registrou uma queda de 25%, só no mês passado, a marca das quatro argolas brindou seu melhor maio no país. "Alcançamos um resultado histórico, com alta de 12% em relação ao mesmo período de 2013 e seguimos firmes no nosso objetivos de chegarmos a 30 mil unidades anuais, em 2020", completou.

Até quem anda mal das pernas está se reposicionando para fugir dos segmentos de entrada, onde a queda nas vendas se concentra, e subir na 'cadeia alimentar'. "Estamos reposicionando toda nossa gama, eliminando as opções de entrada", declarou o diretor-geral da Peugeot brasileira, Miguel Figari. A marca francesa viu suas vendas caírem 46% só nos primeiros cinco meses deste ano e, com uma fatia de menos de 1% do mercado nacional, vê uma saída inteligente no aumento dos preços de sua linha.

Nesta semana, por exemplo, a Peugeot apresentou o 208 para o ano que vem. As versões 2016 partem de saldadíssimos R$ 45.990, valor quase igual ao que é cobrado na Europa, onde o poder aquisitivo é quatro vezes maior que o nosso, um preço há até bem pouco tempo impensável para um compacto francês. "Vamos competir em uma faixa em que temos força, o modelo traz a maior oferta de conteúdo de sua classe e o objetivo é dobrarmos nossa participação, no Brasil, até o final de 2015, chegando a 1,6%", disse Figari. 

O Honda Fit 2016, revelado também nesta semana, ficou quase 4% mais caro e, agora, parte de R$ 51.600. O Fox, da Volkswagen, também foi reajustado na semana passada e sua versão popular não sai por menos de R$ 43 mil. São remarcações que não deixam dúvidas: as marcas estão indo atrás do consumidor que não perdeu poder de compra e, em um mercado desqualificado como o brasileiro, esse cliente não se importa em pagar valores estratosféricos por um zero-quilômetro.
Mas há um paradoxo nesta situação.

A Mercedes-Benz, por exemplo, confirmou a demissão de 500 trabalhadores através de um PDV, quase ao mesmo tempo em que projeta um enorme salto comercial para seu utilitário-esportivo (SUV) compacto, o GLA. "Vamos vender 6.000 unidades deste modelo, até o final do ano", estima o gerente de vendas e marketing da marca, Dirlei Dias. Na sua versão "básica", 200 Style, o 'crossover' parte de R$ 129 mil. "Entre o final de 2013 e o início deste ano, faltaram carros para entregarmos e, se tivéssemos 30% a mais de estoque, teríamos comercializado tudo", completou.

Como dizia Tom Jobim, "o Brasil não é para amadores". #Negócios #Automobilismo #Crise