A queda de 3,5% das vendas do varejo no mês de abril frente ao mesmo mês do ano passado surpreendeu os economistas, que acreditavam em um recuo de 1,8%. Essa retração atingiu os supermercados, a venda de veículos leves e de vendas no varejo, segundo o IBGE.

O presidente da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas - FCDL, Marcelo Mérida reitera que "se não chegamos ao ápice, então chegamos muito próximos do topo dessa crise que está se desenhando para 2015". Para Mérida, o movimento no comércio nas datas promocionais tais como, Dia das Mães e Dia dos Namorados refletem o que o IBGE divulgou, uma vez que realmente houve uma queda no volume de vendas em quase todo o país.

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No Estado do Rio de Janeiro o índice chega muito próximo aos dados divulgados pelo IBGE.

"De fato, nesse ano, a retração veio nos períodos de datas promocionais. O mais quente do fluxo de pessoas nos centros comerciais e nas ruas realmente fez com que nós sentíssemos a diferença efetiva no caixa", disse Mérida.

Para o presidente da FCDL e da Carjopa - Comissão dos Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências, Eduardo Chacur, a queda no volume de vendas no comércio de Campos dos Goytacazes, RJ, foi da ordem de 8%.

"Quando falamos que o mês de junho é o ápice dessa diminuição, porque o Dia dos Namorados ele veio crescendo paulatinamente em todos os anos, a ponto de se tornar a terceira melhor data comercial, perdendo apenas para o Natal e o Dia das Mães", frisa Mérida.

Curiosamente, após a queda no volume de vendas do Dia das Mães, o movimento nas ruas da cidade após esse período e o que antecedia o Dia dos Namorados chamou a atenção, mesmo assim este movimento foi considerado muito fraco para o presidente da FCDL.

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"O que a gente percebeu de diferente nesse ano, é que esses seis primeiros meses do ano, ele foi muito arrastado, em uma economia que não se soltou. Ela veio se alternando com períodos em que houve um crescimento nas vendas e outros muito fracos com períodos distintos dentro do mês", conta Mérida.

Ele informa que os primeiros dez dias de cada mês sempre tiveram um volume muito grande de pessoas circulando pelo centro e fazendo compras na cidade.

"A gente sempre teve um volume maior, nos primeiros dez dias do mês no comércio, mas em alguns setores e algumas cidades, nós tivemos diferencial, a segunda dezena foi melhor, a gente não sabe se foi o salário das pessoas que saiu um pouco do calendário, ou se houve um fluxo maior de dinheiro, ou seja, esse ano está sendo um ano para o comercio, de parâmetros", diz Mérida.

Ele explica que não há sinalizadores idênticos aos do ano passado, e isso tem preocupado e deixado o setor em angústia. Mesmo que torça por um cenário promissor para o segundo semestre, os comerciantes sabem que no segundo semestre algumas coisas se repetem. #Negócios #Crise econômica