Depois de quatro décadas em que trabalharam juntos, os irmãos José e Jacildo Ribeiro Siqueira, proprietários da Mercearia Pioneira, uma das casas mais antigas de secos e molhados localizado no box 70/74, interior do Mercado Municipal, se separaram. Chega ao fim uma sociedade que deu certo por tantos anos. A justificativa vem em tom de desabafo, com uma ponta de tristeza, afinal, 40 anos não são 40 dias, e com a saída de Jacildo, lá se foi também o gato, que fazia parte do folclore desta empresa.

"O meu irmão desistiu de continuar. A nossa separação se deu depois que fomos informados de que o Mercado sofreria uma nova reforma.

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Demos uma parada, e nesse tempo um colega me chamou para trabalhar aqui em frente até novembro. Foi em novembro passado (2014) que eu resolvi reabrir este espaço que já ocupamos por tanto tempo", lembra José Ribeiro.

Diante do momento vivido pelo país com a grave #Crise financeira, Ribeiro, conta que apesar de estar ocupando metade do estabelecimento que eles tinham, o movimento já não é mais o mesmo.

"Atualmente o movimento está muito fraco, mesmo assim a gente insiste e trabalha mais um pouco. O que entra está dando para pagar algumas contas" relata.

Diariamente José Ribeiro chega ao Mercado Municipal, por volta das 6h30 e trabalha até as 18h. Naquela persistência de quem passou a vida inteira da labuta do balcão. Na insistência de um ser muxuango que se arrasta diante da vida e sabe como é difícil lidar com o comércio.

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A mercearia não é mais a mesma de outros tempos, afinal até o gato branco de manchas negras que fazia parte do estabelecimento, se foi. Levado por seu irmão, Jacildo. "O gato está na casa dele, ficou lá guardado. Agora estou com medo de trazer para cá e estranhar a nova casa", mas José Ribeiro esquece que a casa é a mesma, só muda o dono, e o gato fazia parte da historia.

O muxuango - A persistência de José Siqueira e seus traços físicos e sua forma sociológica de conviver, já foram estudados e divulgados pelo escritor Alberto Lamego em algumas de suas obras. Lamego cita que dos descendentes de portugueses, Campos dos Goytacazes possui dois tipos de pessoas com características pessoais e antropológicas que remetem à descendência dos portugueses, o "muxuango" e o "mocorongo". Para Alberto Lamego o muxuango "é um tipo exclusivamente branco, em geral é magro de estatura variável. Os olhos são frequentemente verdes ou azulados". Além disso, o muxuango é considerado por Lamego, como um ser dolicocéfalo, onde o escritor e pesquisador percebeu a abundância do tipo loiro. Apesar de tantas características estudadas em relação a existência curiosa desse tipo étnico, disperso pelas terras da Baixada Campista, que são costeiras e localizadas no norte-fluminense, o escritor não o vinculou a história e a existência de moradores do litoral do vizinho município de São João da Barra. #Negócios