Chegou o dia 30 de junho, 19:00 h, horário de Brasília, prazo final para a Grécia pagar € 1,6 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Não pagou. E se tornou a única nação de primeiro mundo a não honrar sua dívida com o Fundo e se uniu ao grupo dos não pagadores, Sudão, Somália e Zimbábue.

No último minuto, a Grécia pediu socorro aos países europeus, através do Mecanismo de Estabilização Europeia. Não colou, e os recursos foram negados. O ministro da Finlândia respondeu aos gregos que qualquer empréstimo deveria seguir os trâmites legais, ou seja, levaria tempo. O ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, também tentou uma última cartada. Tentou trocar o referendo marcado para domingo, por um novo acordo a ser firmado, antes do vencimento da dívida. Não deu certo.

O não pagamento da dívida coloca o país oficialmente em moratória, ou seja, a condição que o país declara não ter condições financeiras para cumprir seus compromissos. Frente a esse cenário, o porta voz do FMI informou à Assembleia de Governadores que a Grécia só poderá receber novos financiamentos do Fundo, quando conseguir pagar o que deve. No entanto, o FMI também comunicou que vai levar em consideração o pedido feito pelo governo grego, poucas horas antes, para prorrogar o prazo para novembro.

"Morte" anunciada

Não foi surpresa para ninguém o calote no FMI. A situação de apreensão que está a população grega, foi anunciada quando seu primeiro ministro, Alexis Tsipras, ganhou as eleições em janeiro, prometendo acabar com o arrocho financeiro a que está submetido o povo, ou seja, tentar romper com a austeridade econômica exigida pelos credores, é uma questão política. Quando Tsipras convocou a população para ir às urnas, domingo próximo, para decidir através de referendo, se desejam ou não uma série de reformas propostas pelos credores e que incluem aumentar impostos e reduzir aposentadorias. Quando o premiê foi à televisão, pedir que os gregos digam "não". Quando hoje, pela manhã, o ministro Yanis disse que não pagaria a parcela devida ao Fundo.

O povo está dividido, por um lado existe o orgulho grego de não ceder às pressões dos credores, consideradas por muitos especialistas, absurdas. Por outro lado, existe a certeza que sozinhos, com a própria moeda, dracma, não irão muito longe. Ficar na zona do euro é uma questão de sobrevivência, se não agora, em um futuro próximo.

Domingo o mundo conhecerá o destino da Grécia. #União Europeia #Crise econômica