O limite do crédito consignado, que era de 30%, foi aumentado para 35%, segundo a Medida Provisória divulgada hoje (13) no Diário Oficial da União. O limite de crédito é descontado na renda do pensionista, aposentado ou trabalhador. Dos 35%, apenas 5% deve ser destinado exclusivamente para pagamento de despesas com cartão de crédito.

No fim de maio desse ano, Dilma Rousseff já havia rejeitado o aumento do limite de 30% para 40%. Nessa ocasião, ela explicou que a medida pode acabar por comprometer ainda mais a renda familiar, além do que é desejável e do que é compatível com os princípios da economia atual. De acordo com ela, o veto foi dado para evitar a inadimplência.

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Na prática, significa que todo trabalhador pode pedir crédito que equivale a até 30% de sua renda mensal, mais o crédito de 5% apenas para pagar dívidas do cartão de crédito. Vale lembrar que os juros dessa última opção são muito maiores do que as demais. A MP divulgada hoje no Diário Oficial da União vai contra o que o Banco Central vem adotando atualmente para conter a inflação, que é manter a política monetária do país em modo restritivo.

A taxa de juros do crédito consignado é mais baixa do que as cobradas nos demais empréstimos, já que as parcelas de pagamento são descontadas de forma direta no salário dos funcionários da empresa ou nos benefícios dos pensionistas e aposentados.

Brasileiros estão mais endividados

Em junho desse ano, o Banco Central divulgou pesquisa que afirmava que quase metade da renda dos brasileiros está previamente comprometida com dívidas.

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De acordo com os dados, o endividamento atinge cerca de 46,3% da população. Esse índice é o mais alto em 10 anos, época em que a pesquisa começou a ser divulgada. Em abril, o índice foi de 21,98%. 

Economistas geralmente criticam esse tipo de ampliação de limite, pois ele tende a criar a sensação de ter mais dinheiro, possibilitando o aumento das dívidas. Isso tudo numa época em que há a ameaça do desemprego aumentar e com a economia brasileira quase estagnada.  #Governo #Legislação