O mercado brasileiro de automóveis segue no volume morto e, se não há mais como piorar, os números de junho mostram que as coisas também estão longe de melhorarem. No mês passado, as vendas de carros de passeio e comerciais leves caíram 0,1% em relação a maio, de acordo com números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Comparado com junho de 2014, as perdas foram ainda maiores, de 18,3%. Nos primeiros seis meses de 2015, a retração do setor chega a quase 20%, em relação ao primeiro semestre do ano passado. A crise é tão grave que consultores empresariais calculam que, até dezembro, 12% dos concessionários nacionais devem fechar as portas.

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"Os distribuidores vêm enfrentando quedas nas vedas e de rentabilidade há anos, no Brasil", avalia o diretor da MVC Finanças, Marcelo Viana. "Poucos empresários se prepararam para driblar os altíssimos custos e a diminuição da procura que, combinados, podem encerrar as atividades de até 1.000 revendedores neste ano". De acordo com ele, o modelo de negócio precisa ser revisto. Desde 2007, o setor não registrava um primeiro semestre tão ruim, no país.

A crise não chegou só para o mercado de automóveis: o segmento dos pesados, que reúne caminhões e ônibus, viu suas comercializações despencarem 38,7% neste primeiro semestre e até mesmo as motocicletas acumulam perdas de mais de 10%, neste ano. Os implementos rodoviários e a máquinas agrícolas seguem a mesma curva descendente, com retrações de 48% e 23,5%, respectivamente.

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Na briga pela liderança do mercado brasileiro, a Fiat mantém a ponta com uma participação de 18,6%, entre carros de passeio e comerciais leves. General Motors, com 16%, Volkswagen, com 15,5%, Ford, com 10,6%, e Hyundai, com 7,91%, completam a lista da cinco primeiras.

Entre os modelos mais vendidos, o Fiat Palio, com alta de 1% em junho, segue na liderança. Chevrolet Onix e a picape Strada completam o pódio. Entre os ponteiros, destaque para o VW Gol que, mesmo com queda comercial de 8,7%, ultrapassou o Uno e pulou da sexta para a quinta colocação geral. Já entre os utilitários-esportivos (SUVs), o Honda HR-V aparece cada vez mais líder, mas foi o Renault Duster que surpreendeu no mês passado, subindo à segunda posição com ganhos de 38% e abrindo em relação ao Renegade, da Jeep, que viu suas vendas crescerem "apenas" 22,7%. #Negócios #Automobilismo #Crise econômica