Cegada pelo mais recente anúncio da General Motors, que confirmou um novo aporte de R$ 6,5 bilhões no Brasil, totalizando um montante de R$ 13 bilhões até 2019, a imprensa nacional não enxergou que, por trás da festa que trouxe ao país ninguém menos que o presidente mundial da companhia, Dan Ammann, o esvaziamento da fábrica de São José dos Campos segue amedrontando os trabalhadores da unidade paulista. É que o investimento bilionário não contemplará a planta do Vale do Paraíba e depois da negociação feita em 2013 com sindicato, prefeitura e governo estadual, em que a GM prometia uma injeção de R$ 2,5 bilhões na fábrica, não dar em nada, os rumores de fechamento ganham corpo.

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Foi um acordo de apenas seis meses, de curto prazo”, justifica o vice-presidente executivo e presidente da subsidiária latino-americana da companhia, Jaime Ardila, que se aposenta no final deste ano – ele será sucedido pelo ex-Ford, Barry Engle. “Não pretendemos fechar a unidade, mas também não vamos voltar a investir nela enquanto as condições não melhorarem. Hoje, nossa capacidade produtiva é adequada às projeções do mercado brasileiro, que só deve ser recuperar em 2017”, avalia Ardila.

Outro ponto que passou despercebido, em meio a tanto confete, é a expectativa de “sinonização” da marca Chevrolet. É que os R$ 6,5 bilhões anunciados para o Brasil fazem parte de um programa global de investimentos de mais de R$ 16,6 bilhões, que vai contemplar outros mercados emergentes, nominalmente China, Índia e México, dando vida a uma nova família de compactos que só chega às ruas em 2019.

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Esta gama vai comutar uma mesma plataforma, desenvolvida em conjunto com a Shangai Automotive (SAIC), que é o braço chinês da GM.

Em outras palavras, a estratégia mantém o Brasil como mercado de "segunda divisão", onde são vendidos produtos diferentes dos ofertados nos principais países europeus e na América do Norte. Pior, a presidente-executiva (CEO) da GM, Mary Barra, confirmou nesta semana, em Nova Déli, que a Índia ficará com 20% do aporte mundial e que o país será uma nova base de produção e um novo polo de exportações da companhia, para mercados emergentes. “A GM não alcançará a liderança mundial sem investir e ampliar sua presença no mercado indiano”, declarou a executiva.

Analistas estimam que a Índia será o terceiro maior mercado automotivo do mundo em 2020, atrás de China e Estados Unidos, e a Chevrolet terá dez lançamentos – todos modelos de produção doméstica – no país, nos próximos cinco anos. “As exigências dos consumidores estão aumentando rapidamente e, se no passado, os fabricantes destinavam modelos ultrapassados e de baixíssimo custo para esses mercados, hoje não só o clientes mas as próprias regulamentações exigem automóveis eficientes, seguros e cada vez mais tecnologia embarca”, pontua o chefão Dan Ammann.

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A esperança é de esta nova geração reduza o abismo que ainda separa nossos populares dos compactos vendidos na Europa e Estados Unidos. #Automobilismo #Inovação #Blasting News Brasil