O coordenador da Defesa Civil em Campos, Henrique Oliveira, ratifica a informação de que até o final do inverno o rio Paraíba do Sul deve alcançar a marca de 4m, a menor em sua história. Para o diretor do Comitê do Baixo Paraíba, João Gomes Siqueira, os problemas da seca não param.

A baixa do Rio Paraíba irá afetar o lençol freático, fato confirmado pelo pesquisador chefe do Centro Estadual de Pesquisas em Agropecuária e Aproveitamento de Resíduos - CEPAAR, Silvino Amorim Neto.

"O inverno é uma estação tipicamente seca. O que me preocupa é o verão. Uma vez que esta estação também possui seca prolongada. Como o nível dos rios no estado de São Paulo estão baixos, se na nossa região não vier chuva, os paulistas irão retirar mais água do Paraíba e isso pode afetar o abastecimento em nossa região", explica.

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O diretor do Comitê, João Siqueira, possui previsões pessimistas diante do quadro compreendido entre as chuvas na cabeceira do rio em São Paulo, e a seca que ocorre no Triângulo mineiro e na região serrana fluminense.

"No ano passado, o rio Paraíba teve uma marca muito baixa, mas esse ano será pior. Acredito que até o final de outubro, o rio irá baixar muito mais por causa da seca em Minas e na região serrana. Se não chover, não haverá reservas e isso pode afetar o abastecimento", relata.

O presidente do sindicato Patronal Rural, José do Amaral, lembra que o inverno é um período de seca.

"A questão do clima é uma caixa de surpresas. Normalmente os meses de junho, julho, agosto e setembro são meses de pouca chuva. Se houver pouca umidade nos próximos meses, o impacto será doloroso para a #Agricultura", afirma.

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Amaral conclui sem saber ao certo qual será o futuro da região, caso a seca continue a afetar o nível do rio Paraíba do Sul e consequentemente a produção agrícola da região.

"É difícil dizer com certeza o que irá acontecer. O inverno é sempre seco. Quando chega o final de setembro e início de outubro, as chuvas começam a cair. Em novembro e dezembro temos os aguaceiros de verão. É uma incerteza muito grande do que vai ocorrer", conclui.

A seca preocupa os agricultores uma vez que o lençol freático é atingido e com isso não há água para o gado e para a irrigação da lavoura.

Amorim acrescenta que a região vive um momento de instabilidade climática muito grande. Lembra que o nível baixo do rio Paraíba afeta toda a cadeia produtiva da região, principalmente a lavoura canavieira.

"O déficit hídrico é que encarece a produção, limita os produtores de cana. Porque essa situação baixa a auto-estima dos produtores, baixa o preço do produto, baixa a produtividade. Como falta tecnologia, os produtores não podem de forma alguma competir com o mercado paulista", explica. #Natureza