Alugar residências em São Paulo está mais barato, é o que revela a última Pesquisa Mensal de Valores de Locação Residencial divulgada pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo). De acordo com o estudo, o valor do aluguel na capital paulista em junho apresentou redução de 0,9% em relação a maio. Já no acumulado de 12 meses, houve uma variação negativa de 1%, fato que ocorreu pela primeira vez desde o início da pesquisa, em 2005.

A pesquisa é realizada com base nos contratos firmados pelo mercado, tendo como comparação o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), o mais utilizado no reajuste dos aluguéis e que acumulou um crescimento de 5,6% nos últimos 12 meses. 

Histórico

Há um ano atrás, em junho de 2014, a variação do valor médio do aluguel em São Paulo apresentava alta de 7,6%, enquanto o IGP-M no mesmo período era de 6,2%.

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Segundo Mark Turnbull, diretor de locação do Secovi-SP, essa alta ocorreu, entre outras coisas, pelo aquecimento do mercado com a Copa do Mundo, que causou o inflacionamento em áreas como Itaquera, bairro que recebeu os jogos do Mundial na capital paulista.

Logo em seguida, situações de ordem econômica provocaram uma redução dos valores médios das locações e do IGP-M, fazendo com que ambos se igualassem em setembro e outubro do ano passado. “A partir de outubro/novembro de 2014, com o resultado das eleições, as coisas começaram a ter um descolamento maior, e apareceram problemas maiores em termos macroeconômicos. Os locatários começaram a procurar mais imóveis, já que não podiam pagar os valores altos que estavam sendo pedidos pelos proprietários, e começaram a ir para regiões mais afastadas ou a negociar.

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E aí então os valores começaram a cair paulatinamente”, afirma Turnbull.

Nesse mesmo período, o IGP-M se manteve ascendente junto com a inflação, mas os valores de locação continuaram a diminuir, já que o mercado estava mais consciente sobre a recessão do país, principalmente diante do PIB baixo e com expectativas ainda menores. No entanto, foi apenas a partir de maio/junho deste ano que a grande maioria dos proprietários caiu na real para a necessidade de reduzir drasticamente os valores, causando o índice negativo no valor médio das locações.

Um fato novo, mas que não assusta

Segundo Turnbull, o que todo investidor de imoveis almeja é “um bom inquilino, que pague em dia, que não dê trabalho e que tenha boas garantias”. Ainda assim, alguns proprietários não souberam valorizar os bons inquilinos que possuíam, e, diante do encerramento dos contratos, insistiram em pedir valores maiores para manter a locação, o que acabou obrigando diversos inquilinos a sair dos imóveis que ocupavam. Em vários casos, aqueles que pensavam ser possível achar imediatamente um novo inquilino acabaram tendo que lidar com um fluxo de caixa negativo, sem conseguir novas locações.

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Nesse quadro, os proprietários foram obrigados a reduzir os valores pedidos, criando um momento favorável para os inquilinos, que agora se encontram com um poder de barganha maior, apesar de também sofrerem com as incertezas diante da economia, como a recessão e o risco de desempego. “É um fato novo. Mas um fato que, por enquanto, não assusta, já que é o mercado sendo o livre mercado”, afirma Turnbull, explicando ainda que “o mercado de locação é sempre um mercado mais rápido na reação, seja positiva ou negativa. Ele age mais rápido que o de mercado de venda. A pessoa precisa morar agora, não vai esperar três anos para morar, então é um outro aspecto”.

Ainda assim, mesmo com a capacidade de rápida reação do mercado de locações, ele acredita que a situação atual deve permanecer por um bom tempo, já que está sujeita a questões macroeconômicas, como as reformas fiscais do governo. #Finança #Crise econômica