A Volkswagen confirmou, nesta sexta-feira, o nome de Matthias Mueller, ex-chefão da Porsche, como novo presidente-executivo (CEO) do grupo. Ele assume o lugar de Martin Winterkorn, que pediu demissão depois que a fraude de emissões da companhia ganhou proporção de um escândalo global, na semana passada – um software instalado pela VW em motores TDI (de ciclo Diesel) detectava o momento em eles estavam sendo inspecionados, alterando os parâmetros de controle dos gases poluentes para serem aprovados nos testes de emissões; em condições normais de operação, os propulsores descumpriam os limites, poluindo até 40 vezes mais. Desde então, as ações da companhia caíram mais de 45%.

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Sob minha liderança, a VW desenvolverá e implementará os mais rigorosos padrões de conformidade e governança, para sairmos desta crise ainda mais fortes”, disse Mueller. Ele encontra um cenário muito diferente daquele de dois anos atrás, quando a Volkswagen anunciou um plano global de investimentos de 84,2 bilhões de euros – o equivalente a R$ 387,7 bilhões – que lhe daria a liderança do mercado automotivo mundial, em 2018.

A liderança chegou mais rápido que a VW imaginava, no primeiro semestre deste ano, quando alcançou a marca de 5,04 milhões de unidades, desbancando a Toyota. O número, no entanto, representa menos da metade dos 11 milhões de veículos incluídos no escândalo, mas a ele o leitor pode somar a multa de US$ 18 bilhões – o equivalente a R$ 80 bilhões – que o governo norte-americano deve aplicar na Volks e os 6,5 bilhões de euros – quase R$ 30 bilhões – que o próprio grupo separou para um recall mundial.

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O novo CEO pegará o grupo próximo da bancarrota com um prejuízo de deve chegar a R$ 50 bilhões, só neste ano. Mais do que de uma ajuda sobrenatural da matemática financeira, ele precisará de muita coragem e sorte para convencer os acionistas a não debandarem. Afinal, o valor de mercado da VW caiu o equivalente a quase R$ 100 milhões só nos últimos dias.

Já por aqui, enquanto a Volkswagen omite informações sobre a picape Amarok, único modelo da marca equipado com motorização TDI à venda no país, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) inicia uma investigação para apurar se o golpe desmascarado nos Estados Unidos também é aplicado no país. Vale lembrar que, no início de junho, publicamos uma matéria sobre o lançamento do Fox 2016, colocando sob suspeita as afirmações da VW de que o compacto estaria 6% mais econômico – o que era desmentido por seus próprios números.

Na oportunidade, fomos procurados pela assessoria de imprensa da montadora que atribuiu as diferenças nos números – que chegava a 46% - a mudanças na metodologia de aferição do consumo. Na oportunidade, enviamos quatro questões para a VW que, até hoje, três meses depois, seguem sem resposta. #Automobilismo #Finança #Corrupção