Quem pensa que as variações do dólar são nocivas somente para aqueles que viajam para o exterior e acha que o assunto não lhe interessa, está muito enganado. Não é necessário estar com a passagem para Nova York na mão para sentir os efeitos da corrida crescente da moeda americana.

Todos os dias somos informados da movimentação na bolsa de valores e, como consequência, da cotação do dólar. Pois bem, o aumento da moeda do tio Sam, afeta, diretamente, a vida da população brasileira. Economistas estimam que, em um ano, cada vez que a moeda americana fica 10% mais cara, a inflação tende a subir 0,5%. A razão é simples. Se o produto que é comprado por aqui tiver algum componente importado, o incremento do valor do dólar, em algum momento, é repassado para o consumidor.

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Um bom exemplo é o pãozinho francês. O Brasil importa 20% do trigo que é usado no país. Dessa forma, se o dólar sobe, o trigo fica mais caro, e aquele pãozinho do café da manhã, também. Simples assim. Um outro exemplo vem do setor da agropecuária e da pecuária. O adubo e a ração para animais ficam mais caros e a diferença do preço será sentida no supermercado.  

A mesma lógica serve para o cabeleireiro, para os remédios, e por aí vai. Portanto, não ter a necessidade de viajar e comprar dólar, não elimina todos os problemas que a economia brasileira e o bolso do trabalhador amargam, quando o dólar dispara.

Especialistas responsabilizam o péssimo momento do Brasil, seja econômico, político ou ético, para a valorização recorde da moeda americana frente ao real. É fato que fatores externos contribuem para a oscilação do valor da moeda, como a crise política e financeira da Europa, fortalecimento da economia americana e a taxa de juros dos EUA. Quanto maior a taxa, mais os investidores tem interesse em aplicar o dinheiro na terra do Obama, pois o rendimento será maior.

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No entanto, o enfraquecimento da economia brasileira causa descrédito e incerteza nos mercados, aumenta o Risco Brasil e afugenta os investidores, que preferem colocar seu dinheiro em solos menos turbulentos que os brasileiros. Concluindo, dólar alto não é bom para ninguém. #Governo #Crise econômica