Se os números de julho trouxeram um certo alento para o setor automotivo brasileiro, com alta de 7,2% em relação a junho e uma ponta de esperança para o fechamento deste ano, o balanço divulgado nesta quarta-feira, 2, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostrou que a #Crise veio, sim, para ficar.

Carros de passeio e comerciais leves, que respondem pela maior fatia do bolo, registraram queda nos emplacamentos de 16% no mês passado. Não bastasse isso, o volume de agosto ficou 35,3% abaixo do assinalado no mesmo período de 2014. Nos primeiros oito meses deste ano, as perdas já ultrapassaram 25% e, agora, já há previsão para uma retração de mais de 30% até dezembro.

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“Nós estamos voltando para o mesmo volume de dez anos atrás e, só entre automóveis de passeio e comerciais leves, projetamos uma queda de um milhão de unidades, até o final deste ano”, diz o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr. “A situação dos concessionários se agrava com a retração na geração de negócios, a grande desconfiança do consumidor, a elevação dos juros e o Produto Interno Bruto (PIB) negativo. Só de janeiro a agosto, 347 concessionários de todo o país fecharam suas portas”, conclui.

O encolhimento do mercado nacional fez com que o Brasil caísse da quinta para a sétima posição no ranking automotivo mundial – superado por Grã Bretanha e Índia. Hoje, o país ainda está à frente da França, mas se as curvas atuais se mantiverem até o final deste ano, deve cair para o oitavo posto até dezembro.

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Contrariando todos os paradigmas econômicos, a queda nas vendas é acompanhada de um aumento médio de quase 6% nos preços dos zero-quilômetros – o Renault Sandero, por exemplo, teve sua tabela reajustada em mais de 25%.

No segmento de transportes, que reúne caminhões e ônibus, a situação é ainda mais crítica, com perdas de 40,3%, entre janeiro e o mês passado. No setor de duas rodas, a queda está em 10,6% e nos implementos rodoviários ela supera 46%. Uma característica da desqualificação do mercado brasileiro pode ser observada pela participação das motocicletas e ciclomotores no bolo, que era de 28,9%, em 2014, e já está em 31,5%, neste ano – isso mostra que o brasileiro está trocando o automóvel zero-quilômetro pela moto.

Na disputa pela liderança nacional, a Fiat mantém a ponta com uma participação de 18,4%. General Motors, com 15,5%, e Volkswagen, com 15,2%, disputam cabeça a cabeça a vice-liderança. A Ford, com 10,7%, vem recuperando terreno lentamente e a Hyundai, com 8%, vai despachando a Renault que, com uma fatia de 7,1%, já se vê ameaçada pela Toyota, que tem 7% do bolo.

Ainda entre as marcas, destaque para a Jeep, que, mesmo com um único modelo de grande volume, já encostou na Peugeot e deve tomar a 12ª posição da montadora francesa até outubro. #Automobilismo #Blasting News Brasil