A atual crise econômica do país vem provocando mudanças na mentalidade das famílias e trazendo à tona uma disciplina que não é tão habitual quanto deveria entre os brasileiros: a #Educação financeira. Preocupadas com o impacto dos indicadores econômicos nas finanças pessoais, como alta do dólar, dos juros, dos tributos e da inflação, cada vez mais pessoas têm procurado aprender como cuidar melhor da renda a fim de não sofrer com possíveis endividamentos.

A preocupação tem justificativa, já que no mês de setembro a quantidade de famílias brasileiras com dívidas chegou à porcentagem de 63%. Dessas, quase 25% declararam ter mais da metade do rendimento do mês comprometido apenas com o saldo devedor.

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Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que mensalmente realiza a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

Comportamento

Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, o aumento da procura  por melhorar a educação financeira é uma iniciativa bastante positiva. Porém, ele alerta que a preocupação em se educar financeiramente costuma vir apenas em momentos difíceis como o de agora, o que se constitui em uma falha bastante comum. “Hoje as pessoas só buscam sobre o tema em momentos de dificuldade, o que está errado. A educação financeira deve estar em todos os estágios de nossas vidas, desde a escola e até após a aposentadoria”, diz. E complementa: “Outro erro é que muitas vezes associam esse tema a uma questão matemática, sendo que na verdade o mais importante em relação ao tema é o comportamento”.

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De acordo com o especialista, as dúvidas a respeito da melhor maneira de aplicar a educação financeira no cotidiano ainda trazem inseguranças e dívidas. Essa falta de consciência, em alguns casos, podem provocar dívidas ainda maiores. “Na verdade, o que ocorre é que o tema é recente, existem muitos questionamentos ainda sobre ele e a forma correta de aplicar a educação financeira para as pessoas. Para se ter ideia, por muito tempo se achava que apenas o crédito consignado, sem educação financeira, auxiliaria as pessoas, o que se mostrou um grande erro, só aumentando a taxa de endividamento”, afirma.

Escola

O aumento do endividamento familiar também tem resultado em uma preocupação maior no ensino básico com a importância da educação financeira desde cedo. A ideia é que, uma vez em contato com a disciplina, crianças e jovens possam futuramente atuar na formação de uma sociedade com mais consciência e sustentabilidade. Além disso, os alunos também se tornam agentes atuantes replicando o conhecimento adquirido em sala no ambiente familiar, o que pode contribuir para modificar os hábitos de pais e demais adultos com as finanças.

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Para se ter uma noção da demanda, apenas a DSOP Educação Financeira, empresa dedicada a inserir o tema no ambiente escolar, atende atualmente mais de 1.500 escolas no país. Esse número é cerca de 20% maior que o do ano passado e a projeção é que, em relação à quantidade atual, o número de instituições chegue a mais de 1.800 no próximo ano.

Ao mesmo tempo, o projeto Educação Financeira nas Escolas, do governo federal, tem levado a disciplina a escolas públicas de todo o país. A iniciativa, que teve inicio em 2010, deve fechar o ano de 2015 atingindo 2.982 escolas e todo o material didático está disponível para download no site do projeto a fim de que possa ser adotado espontaneamente por outras instituições de ensino. #Finança #Crise no Brasil