Cotação do dólar na faixa dos R$ 4,20; #Desemprego a 8,3% (maior taxa desde 2012); juros crescentes, beirando os 1,11% em agosto, e inadimplência de 29% a 30% entre a população economicamente ativa: brasileiros de 18 a 41 anos. Estes são os inquietantes números do atual segundo semestre de 2015.

Para o economista Vitor Valle, da UFRJ, a atual política econômica do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pratica “uma clara transferência de renda”, que sai da verba da saúde, da educação, do contribuinte, das aposentadorias e dos salários de servidores para o bolso dos rentistas. Apontando uma possível solução, ele avalia que a crise requer escolhas diferentes das que vêm sendo tomadas atualmente:

“O governo brasileiro escolheu a saída do ajuste fiscal e dos juros altos, o que protege os bancos, que não têm seus ganhos afetados, mas agrava a crise para o resto do país, porque reduz a demanda, o investimento e o emprego.

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A taxação das grandes fortunas poderia ser uma boa fonte de arrecadação progressiva; isto é, a que onera os mais ricos e distribui renda. Estima-se que um imposto deste tipo, do mais brando a um mais severo, possa arrecadar de 15 a 100 bilhões de reais por ano”.

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História

Valle crê ser possível rastrear a nossa crise com a norte-americana de 2008. O economista explica que, embora diferentes entre si, as situações de 1929 e 2008, nos Estados Unidos, tiveram origem no mercado e nas instituições financeiras, que lucraram rolando dívidas, elevando a economia a índices que não tinham relação com o “mundo econômico real”.

“Apesar das situações de Brasil e Estados Unidos serem diferentes, porque o nosso país ainda está em vias de desenvolvimento, tudo pode ser comparado.

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São estes, por exemplo, os momentos em que alguns agentes econômicos importantes decidem que é hora de parar de conceder crédito. A crise brasileira está muito mais inserida no contexto internacional, em parte como consequência da crise de créditos que surgiu nos Estados Unidos e em todo mundo, em 2008” - comparou.

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Dólar alto

Na última década, o país acumulou muitas reservas, contribuindo para manter o nosso dinheiro valorizado. Este cenário mudou e houve queda na entrada de capital. A desvalorização do real afeta os preços, via importados. Mas, num contexto econômico geral, tal fator é importante para incentivar as exportações e manter um saldo positivo na balança comercial e no balanço de pagamentos: maior desafio de países em desenvolvimento, especialmente em momentos de crise.

“Claro que existe um limite saudável para esta desvalorização. As causas da inflação no Brasil sempre foram motivo de grandes debates entre economistas.

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Nos últimos anos, boa parte da inflação estava explicada nos custos, especialmente salários, o que considero uma ‘inflação boa’. Por exemplo: um empregado doméstico ficou ‘mais caro’ – e isto é bom para qualquer um que tenha sensibilidade social. Já o aumento da inflação decorrente da crise pode estar em parte explicado pelo aumento do dólar e, de outro lado, pela queda de confiança, que faz com que setores da economia busquem proteger seus ganhos, aumentando preços. Não me arrisco a fazer um diagnóstico definitivo”, ponderou Valle. #Dilma Rousseff #Crise econômica