Se tudo correr conforme o planejado pelos executivos da empresa belga-brasileira AB Inbev e da britânica SAB Miller, em breve uma em cada três cervejas consumidas no mundo será de propriedade de uma mesma marca.

Após extensivas e polêmicas negociações, a segunda maior fabricante de cervejas do mundo, SAB Miller, anunciou nesta terça-feira, dia 13, que aceitou o acordo de compra oferecido pela maior fabricante de cervejas do mundo, a AB Inbev.

O acordo prevê que a AB Inbev pague £ 44 por cada ação da SAB Miller, o equivalente a aproximadamente R$ 261 por ação, segundo a cotação atual. Se efetuada, o valor total da aquisição da SAB Miller pela AB Inbev será de £ 68 bilhões, equivalente a aproximadamente 104 bilhões de dólares.

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Caso confirmada, a fusão será a terceira maior da história, atrás apenas da compra da empresa de telefonia alemã Manesmann pela britânica Vodafone, em 1999, por US$ 172 bilhões; e da venda de 45% da participação da mesma Vodafone na Verizon Wireless para a norte-americana Verizon, por US$ 130,1 bilhões, em 2013.

Sendo concretizada, a venda pode reunir algumas das principais marcas de cerveja do mundo em uma mesma empresa, tais como a belga Stela Artois e a norte-americana Budweiser,  da AB Inbev, com a italiana Peroni e a tcheca Pilsner Urquell, da SAB Miller.

A gigante belga-brasileira também é responsável por 70% do mercado cervejeiro brasileiro, sendo proprietária de algumas das marcas mais populares do país, como Brahma e Skol.

 

Dívida e autorização dos órgãos reguladores

Para a transação ser concretizada, as empresas agora aguardam a autorização dos órgãos reguladores comerciais.

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 A transação deve estar de acordo com as leis de mercado para ser concretizada, mas, segundo especialistas, deve mesmo ser efetuada em breve.

Para adquirir a segunda maior empresa cervejeira do mundo, a AB Inbev também deverá acarretar a dívida da SAB Miller, avaliada em aproximadamente £ 22 bilhões. O valor elevaria o valor da cervejeira britânica para cerca de £ 80 bilhões.

Para o publicitário e entusiasta da bebida fermentada Carlos Magalhães, a compra pode trazer malefícios para o consumidor. “É normal que as grandes empresas queiram lucrar e aumentar o seu valor de mercado e sua participação mundial, mas no final há o risco de venda casada, monopólio e alteração da fórmula tradicional das marcas para aceitação mundial, o que vai encarecer e enfraquecer o produto para quem mais importa no final, que são os consumidores. O quão isso é válido?”, pondera.

A preocupação de consumidores e analistas de mercado faz sentido. Com a aquisição da sua maior concorrente, a AB Inbev aumentará sua participação mundial, entrando em mercados onde atualmente tem pouca penetração, como a África, onde a SAB Miller foi criada.

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Fusões anteriores

Apesar das polêmicas e da grande movimentação que a fusão das duas gigantes fará no mercado financeiro, se unir a outra marca para criar uma maior não é novidade para nenhuma das empresas. Ambas surgiram de fusões financeiras que também atraíram grande atenção do mercado financeiro e dos órgãos reguladores.

Antes de tornar a AB Inbev, a empresa era formada pelas gigantes norte-americanas Anheuser-Busch, Interbrew  e a brasileira Ambev. O mesmo ocorreu com a SAB Miller, surgida da união comercial entre a africana South African Breweries e a norte-americana Miller Brewing Company. #Mídia #Finança #Crise econômica