A quase um mês da Black Friday, o ramo varejista já se prepara para o evento que, no contexto atual de crise, é visto como a grande oportunidade para salvar o ano complicado para o setor como um todo que, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo, deverá ter uma retração de 5% em 2015.

Apesar da queda do comércio em geral, a situação do varejo online é confortável. O setor, que continua em expansão no Brasil, deverá fechar este ano com um aumento de 15%. Esse crescimento deverá ser impulsionado principalmente pela Black Friday, momento em que o e-commerce chega a faturar o equivalente a mais de dois meses de vendas. Apenas em 2014, o evento gerou quase R$ 900 milhões em vendas, valor próximo a 50% a mais do que o arrecadado em 2013.

Publicidade
Publicidade

Já para este ano a previsão é de que a Black Friday se converta em aproximadamente R$ 1 bilhão em vendas no varejo eletrônico, cerca de 10% a mais do que em 2014, de acordo com estimativas do site Black Friday Brasil.

Em busca de alcançar a meta, os varejistas têm buscado cada vez mais se adequar à demanda gerada pelo evento, como destaca Thiago Flores, diretor-executivo do comparador de preços Zoom. “As lojas online estão amadurecendo e já estão cada vez mais dedicadas a oferecer atendimento personalizado aos consumidores para proporcionar a melhor experiência de compra possível. Com a consolidação da Black Friday no Brasil, cada vez mais reforçam a sua infraestrutura e preparam operações especiais para atender cada vez melhor aos clientes”, diz.

Reclamações

A dedicação do varejo online não se explica apenas pelas vendas expressivas, mas também pela quantidade de reclamações que surgem durante a Black Friday.

Publicidade

Segundo o site Reclame Aqui, em 2014 foram mais de 12 mil reclamações relacionadas ao evento, a maioria relatando maquiagem de preços, problemas de acesso aos sites e preços que se modificavam na finalização da compra.

Segundo o diretor-executivo, já são praticadas medidas para minimizar os problemas mais recorrentes, sobretudo em relação aos preços, e que não são exclusivos da Black Friday. Como exemplo, ele cita a certificação dos sites parceiros e o selo Black Friday dado às ofertas que apresentam uma queda real de preço.

Quanto aos problemas de acesso, eles costumam ocorrer pelo excesso de usuários acessando as plataformas virtuais, o que gera uma sobrecarga nos sites, uma vez que o movimento é muito maior do que verificado em datas comuns. “Em 2014, a quantidade de acessos ao Zoom no dia 28 de novembro foi dez vezes maior que a média diária comum e 150% maior se comparado a 2013”, afirma Flores.

Otimismo

Questionado sobre as expectativas em relação ao evento diante do cenário de crise atual, Thiago Flores vê o período com bons olhos.

Publicidade

“Os consumidores estão sentindo a crise impactar no bolso e estão mais cautelosos. Com isso,  pesquisam mais preços e informações sobre produtos antes de comprar. Esse cenário é otimista para a Black Friday.”

Para o executivo, “vários consumidores buscam o evento visando comprar com preços mais competitivos, antecipar-se a aumentos dos eletrônicos ou às compras de Natal”. Além disso, ele destaca o potencial do e-commerce, sobretudo pelo crescimento do acesso e da qualidade da conexão à internet no país. “Muitos brasileiros estão tendo seu primeiro acesso à internet por conta da popularização dos smartphones, que são dispositivos mais baratos do que os notebooks e desktops. A conexão à internet também está mais consolidada nos domicílios dos brasileiros e, com o crescimento do número de internautas, há, consequentemente, um crescimento no número de e-consumidores”, conclui. #Negócios