O primeiro Boeing 737 MAX saiu de uma linha de montagem em Renton, Washington (EUA), na semana passada. Nesta terça-feira (8) de manhã, surgiu no avião uma pintura especial para a comemoração de inauguração da nova linha. Até este ano, a fábrica de Renton abrigava duas linhas de montagem altamente produtivas, cada uma produzindo 21 jatos por mês. Em uma transformação, a Boeing já havia montado dentro do mesmo espaço de fábrica uma terceira linha de montagem para este novo jato - grande o suficiente para acomodar sete jatos 737.

"A complexidade não é tanto as mudanças no próprio avião, mas mais sobre como você produz este novo avião em uma fábrica que tem vindo a fabricar (o atual 737) por 19 anos", Keith Leverkühn, vice-presidente da 737 MAX programa, disse ontem em uma entrevista.

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A solução suave desse quebra-cabeça de fabricação é notável.

Sem parar seu ritmo de produção vertiginosa de 42 jatos por mês, a Boeing cede espaço para o MAX, consolidando todos os subconjuntos que alimentam as linhas de montagem e criação de um novo equipamento altamente automatizado e eficiente para a instalação dos sistemas dentro das fuselagens vazias que chegam de Spirit AeroSystems em Wichita.

Em paralelo, a Boeing tem automatizado sua fabricação de asas num edifício adjacente para lidar com novos aumentos da taxa de produção. No entanto, como o primeiro MAX acabado estreou hoje, a Boeing enfrenta uma dura realidade: chega tarde para o mercado, pois o seu novo avião já cedeu terreno para a família Airbus A320neo, seu rival.

Enquanto os atuais modelos 737 e A320 dividem o mercado com mais ou menos 50% de fatia cada um, no final de novembro a Airbus teve encomendas firmes para 4.443 neos, em comparação com as encomendas da Boeing para 2.955 MAX - uma divisão de 60% por 40% mercado.

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As vendas do MAX da Boeing não mostram nenhum sinal de fechar essa lacuna. Os neo, lançados em dezembro de 2011, não só acumulam mais de 1.000 encomendas antes do MAX, mas, desde então, ganhou 53 por cento do mercado contra o jato da Boeing. O avião de testes de voo do MAX - comemorado nesta terça-feira - é esperado para voar no início de 2016, seguindo mais ou menos um ano de testes de vôo por um total de quatro aeronaves de teste. A primeira entrega do MAX deve ir para a Southwest Airlines no terceiro trimestre de 2017.

O Airbus está bem à frente, com o primeiro A320neo sendo entregue até o final deste ano. Esse "delay" deixa a Boeing com "um problema de estratégia de produto", de acordo com a analista de aviação baseada em Issaquah, Scott Hamilton.

Escrevendo em seu site "leeham.net" nesta segunda-feira (7), Hamilton disse que o "comando da quota de mercado" da Airbus significa que a Boeing pode ser forçada a lançar um novo avião para substituir o MAX mais cedo, em 2019 - que inevitavelmente vai diminuir ainda mais as vendas do MAX, reduzindo o retorno sobre todo o investimento feito na fábrica em Renton. #Negócios #Finança #Crise econômica