Após os recentes dados sobre a situação econômica brasileira, o grupo financeiro Goldman Sachs atualizou as suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto), prevendo uma contração de 3,6% para este ano e 2,3% para 2016. Para a financeira, a demanda doméstica deve diminuir 6% ainda este ano e enfrentar outros problemas, como inflação alta e aumento da inadimplência.

Sobre a diminuição da demanda doméstica, o economista-sênior do Goldman Sachs, Alberto Ramos, acredita que isto pode agravar a recessão ao ponto de transformá-la em uma depressão econômica: “O que começou como uma recessão devido a uma necessidade de ajuste em uma economia que acumulou grande desiquilíbrio macroeconômico está agora se transformando abertamente em uma depressão econômica causada por uma profunda contração da demanda doméstica”.

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Boletim Focus

Segundo o Boletim Focus mais recente, a projeção sobre o PIB sofreu uma deterioração, passando de 3,15% para 3,19%, em 2015, e de -2,01% para -2,04%, para 2016. A dívida líquida para o setor público permaneceu em 35,50% do PIB para 2015 e 40% em 2016. Sobre o dólar, a cotação prevista para o fim deste ano permanece em R$3,95 e até o fim de 2016 espera-se que esteja a R$4,20.

Sobre a inflação, a expectativa de alta foi mantida, permanecendo em 6,64% (acima da meta de 2016) e projeção de 10,38% para este ano. Por causa disso, a projeção para 2016 da taxa Selic – índice cujo os bancos se baseiam para a cobrança das taxas de juros – foi elevada de 13,75% para 14,13%, apesar de existir a possiblidade de aumento para 14,25%.

Banco Fibra

Segundo o relatório do Banco Fibra, assinado pelo economista-chefe Cristiano de Oliveira, a previsão é de mais recessão, para este ano e para 2016.

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Segundo a análise do banco, a expectativa é de que o PIB sobra um recuo de 3,8% este ano e em 2016 recua 3,1%. “Olhando para frente, não há nada que permita visualizar cenário positivo. Nossa avaliação é que o atual quadro recessivo deve prolongar-se ao longo do restante do ano e do próximo”, afirmou Cristiano Oliveira.

Bloomberg News

Segundo a agência de notícias financeiras Bloomberg News, a atividade econômica brasileira sofreu uma queda de 1,7% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre, acumulando três trimestres negativos consecutivos pela primeira vez em 19 anos. Além da atividade econômica, o PIB caiu 4,5% em comparação com o mesmo período em 2014, sendo a maior queda desde 1996.

Segundo a agência de notícias, a produção industrial caiu 6,7% em relação a 2014, assim como o setor agropecuário sofreu uma queda de 2% e o setor de serviços recuou 2,9%, ambos comparados com o mesmo período no ano passado. O consumo das famílias também caiu: 1,5% entre julho e setembro, comparado ao início de 2015, e 4,5% em relação a 2014.

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Os gastos do governo, entretanto, tiveram um aumento de 0,3% comparado ao segundo trimestre e uma queda de 0,4% em relação a 2014.

O setor de investimentos também sofreu queda. Segundo o FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), o investimento no país caiu 4% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre e 15%, quando comparado com o mesmo período no ano passado. Isso fez com que a taxa de investimento ficasse em 18,1% em relação ao PIB, valor abaixo da taxa de investimentos do passado (20,2%). Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o cenário não mostra superação, mas continuidade da recessão: “O ajuste recessivo em curso não está criando nem de perto as condições da sua superação, mas antes de tudo mostrando a queda da capacidade de investir na esteira da alta dos juros e da diminuição da renda”. #Governo #Crise econômica #Crise no Brasil