Em recente entrevista na TV, o professor Antonio Delfim Netto colocou de forma simples como o Brasil evoluiu: quatro últimas décadas perdidas. Na opinião do professor, não houve um crescimento real significativo nos últimos governos, seja PSDB ou PT, atingindo valores inferiores a 5% ao ano, enquanto na era anterior o crescimento era em torno de 7%. Referiu-se diretamente os governos da nova república, quando foi construída Brasília e havia o controle militar. Ainda na entrevista colocou que ao colocar o câmbio como referência, o país se colocou em uma camisa de força.

Colocando o congresso no “corner”

Na entrevista, citou inúmeras vezes que o processo democrático brasileiro tem evoluído e algumas instituições mostram-se bastante independentes tal como o judiciário, que tem realizado o seu trabalho com firmeza.

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O mesmo não estaria ocorrendo com o legislativo que tem se mostrado bastante influenciado pela disputa de poder pelo poder. A argumentação leva à citação do “corner” como uma mensagem ambígua sobre o que deve acontecer: (1) deve-se legislar pelo judiciário e executivo, eliminando o terceiro poder; (2) uma ditadura resolveria o problema com a dissolvição do congresso. Em quaisquer das situações, o congresso é considerado como um elemento não representativo do povo e que o povo já tem instrumentos suficientes para forçar as decisões políticas do que eles querem.

Como governar sem legislativo

O melhor exemplo de deliberação do povo foi recentemente mostrado pela adolescência no Estado de São Paulo, quando mais de 190 escolas foram tomadas pelos estudantes da rede de ensino, movimentos de rua foram orquestrados pelos meios eletrônicos, culminando com a demissão do Secretário de #Educação do Estado, assim como a suspensão de todo um projeto pedagógico demagogo (sem participação popular).

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A força dos adolescentes tomou as notícias do Estado e mostrou à população que é possível destituir algumas autoridades quando há firmeza e determinação. Não houve pedido de impeachment do secretário, apenas de que o projeto de reorganização do sistema escolar não era o desejado pelo povo. Entretanto, o nível de popularidade do Governador Geraldo Alckmin caiu tanto (chegando a 28%) que ficou inquestionável que o projeto era inviável e que não passava de mais uma redução de custos pela eliminação de escolas.

Altos salários minam a eficiência

O que os jornais não citam é que o ex-secretário de Educação é um dos marajás da UNESP, pois no site da transparência consta como tendo um salário superior a R$40.000,00 (quarenta mil reais), muito além do limite do teto do funcionalismo público. Tal fato leva a algumas reflexões: o filho ou neto de uma pessoa com tal salário está matriculado na rede pública de ensino? Quando ele estudou, havia mais de 40 alunos por turma nas salas de alfabetização? Será que não seria interessante ter um imposto sobre o excedente de salário do teto para subsidiar o transporte escolar? #Crise econômica #Crise no Brasil