O impostômetro, um marcador que estima o quanto de imposto é arrecadado a cada instante, indicou que ultrapassou os dois trilhões de reais em 30 de dezembro, um dia antes do final de 2015, batendo um novo recorde. O valor corresponde a quase R$1.208,00 por habitante. O valor seria razoável não fosse o fato de que mais de 40 milhões de trabalhadores e aposentados ganham até um salário, cujo valor será de R$880,00 a partir de 2016. Uma grande parte dos impostos é coletada sem que a maior parte da população perceba o quanto está pagando.

Impostos democráticos, distribuição elitista

Um dos principais problemas da coleta de impostos é que ele está presente em valores extremamente altos em coisas como luz, celulares, pedágios e combustíveis.

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Um bom exemplo disso é o aumento de passagens de ônibus, metrô e trens que ocorrerá em São Paulo, principalmente devido aos custos de energia e dos impostos. A arrecadação implica em uma despesa mensal mínima equivalente de R$101,00 reais para cada brasileiro, o que representa perto de 12% da renda dos trabalhadores que recebem um salário mínimo. Como esse percentual é baseado em imposto per capita, isso significa que quanto menos se ganha, maior é a parcela sobre o contribuinte, recaindo sobre os mais pobres o ônus de sustentar o sistema econômico brasileiro. Só para ilustrar e aproveitando que alguns salários universitários do #Governo paulista estão na faixa de R$30.000,00 (chegando a valores superiores a R$60.000,00), o contribuinte dessa classe trabalhadora deve contribuir com apenas 0,3% da renda para manter o mesmo sistema, ou trinta vezes menos por mês que o trabalhador mais pobre.

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Porque ninguém sabe para onde vai?

A principal questão não seria tão grave, o quanto se paga de imposto, não fosse o fato de que pouco ou nada se sabe sobre para onde esse imposto é destinado. A maior parte é dita que vai para a previdência, mas com aposentadorias baseadas no salário mínimo sendo corrigidas seguidas vezes por valores inferiores à inflação do período, já deveria estar quitada a conta previdência. Outra questão que também não está clara é nos investimentos onde o dinheiro dos impostos é aplicado, que com os sucessivos escândalos de corrupção, independente do partido a que pertencem, tem mostrado um grande desvio para o exterior, paraísos fiscais que guardam o fruto do não controle.

Onde fica a transparência?

A principal questão na transparência está em se saber quais os preços efetivos que estão sendo pagos com os impostos. As contas do governo são cheias de siglas e centros de custeio que tornam praticamente impossível para o contribuinte rastrear o seu imposto. Seria pedir muito que houvesse contas com extratos públicos, uma para cada destino? Na verdade, quanto mais confuso melhor, pois só especialistas podem acompanhar o andamento do custeio da máquina pública.

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Por exemplo, quantas aposentadorias uma mesma pessoa pode acumular? Pode existir algum aposentado que receba pelo menos quatro pensões (uma federal, uma estadual, uma municipal e a do INSS)? Como saber quem são? #Crise econômica #Imposto de Renda