Nos últimos meses o preço do barril de petróleo tem variado bastante. Nesse sobe e desce, tem atingido os mais baixos preços nunca vistos antes, o que tem causado um verdadeiro frisson entre os maiores produtores, cujo desafio seria manter o preço do barril estável, de maneira que não afete as economias dependentes da exportação desse mineral em um mercado cada vez mais inundado pela oferta, essencialmente produzida por novos tipos de exploração, tais como o “fracking” praticado por empresas americanas ou mesmo o pré-sal no Brasil.

O Brasil está vulnerável à crise causada pela baixa no preço do petróleo. Uma notícia nada animadora para uma economia que, sem esse problema, já dava sinais de fragilidade.

Publicidade
Publicidade

Apesar de superar as expectativas de produção calculadas pela #Petrobras, batendo a marca histórica de 2,128 milhões de barris/dia em janeiro desse ano, não há muito o que comemorar. Só para se ter uma ideia, em 15 de janeiro de 2015 o barril custava US$ 94,37. Na mesma data de 2016 o preço do barril chegou a incríveis US$ 29,42 para o tipo cru. Se compararmos os preços do petróleo tipo Brent, a queda também é bastante expressiva, de US$ 50,15 para US$ 28,94. Algumas das principais diferenças entre os dois tipos são, além dos preços, a forma como são taxados, a qualidade do óleo e a região geográfica onde são produzidos, sendo o WTI do mercado americano e o Brent mais para Europa e Ásia tendo os mares do Norte como referência.

Em 2011, o então diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa, modificou parte dos contratos com empresas americanas.

Publicidade

Trocou o fornecimento de WTI para Brent, alegando que o WTI já não mais atendia aos interesses econômicos da Petrobras. Na ocasião, 30% dos contratos negociados com empresas americanas eram para fornecimento de óleo WTI e passaram a ser Brent, o mesmo tipo negociado nos contratos já firmados com a Europa e a Ásia. Certamente essa mudança gerou um lucro imediato, cuja previsão não chegou a ser divulgada naquele ano, mas logo o que era o sonho da bonança tornou-se um pesadelo, agravado ainda mais por escândalos de corrupção protagonizados pelo mesmo diretor e que estouraram em 2014, coincidentemente o mesmo ano da queda brusca dos preços mundiais.

Para se ter uma pequena ideia do impacto dos erros cometidos na gestão da empresa, cálculos feitos pela ex-presidente da estatal Maria das Graças Foster, revelados em áudio gravado em 04 de novembro de 2014, apontaram um aumento no custo de produção do barril das Refinarias Abreu e Lima e no Comperj em cerca de dez vezes por conta do superfaturamento das obras, o que tornava praticamente inviável a produção naqueles sítios.

Publicidade

Incluindo os investimentos na instalação das refinarias, o barril inicialmente calculado em US$ 8.695 passou a custar US$ 80 mil após as apurações das irregularidades cometidas e dos ajustes financeiros durante as construções. Após essa trágica constatação e dos sucessivos escândalos revelados, as obras foram paralisadas, sendo as do Comperj retomadas ano passado e as da Refinaria Abreu e Lima anunciadas em janeiro deste ano.

Parceira do Brasil, a  Rússia também sofre 

Na Rússia, a queda de cerca de 36% na produção nacional de veículos ano passado, atribuída ao desaquecimento da economia dependente de petróleo, soou como uma bomba. Um jovem mecânico, da famosa marca russa automotiva Lada, informou à rede de notícias americana CNN que, para não perder o emprego, teve que se contentar com uma redução na jornada de trabalho e no salário, que passou de 20 mil Rublos em tempos bons para 15 mil Rublos, pouco mais de 260 dólares mensais. Nada muito diferente da estória de centenas de trabalhadores das montadoras daqui.

A economia brasileira parece sofrer do mal acometido por aqueles que “pisaram em rastro de corno” como se diz no Nordeste. Não pode contar com a seriedade e competência que a situação exige dos governantes, tampouco com a sorte que outrora teve. #Crise econômica #Crise no Brasil