Em uma recente reunião com economistas em São Paulo na última terça-feira (16), Altamir Lopes (foto), diretor de política econômica do Banco Central, falou sobre a importância de manter a economia enfraquecida para que a #Inflação retroceda até chegar ao teto da meta inflacionária, 6,5%.

Outro membro do alto-escalão a concordar com as declarações de Lopes é Tony Volpon, diretor de assuntos internacionais e de gestão de riscos corporativos do Banco Central. Segundo Volpon, “o cenário externo pode ser deflacionário, uma vez que o dólar não deve continuar se valorizando”.

Para Jason Vieira, economista-chefe da empresa Infinity Asset, a medida defendida por Altamir Lopes e Tony Volpon é arriscada, mas provável: “O Banco Central está se ancorando em um ajuste recessivo, basicamente.

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A perspectiva é que tenha um retorno na inflação com um ajuste recessivo, com queda dos salários e contração da atividade econômica”.

Entretanto, nem todos os economistas presentes na reunião concordaram com a posição tão arriscada diante do atual cenário. Para o chefe da renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o Banco Central está impondo uma visão incerta e potencialmente perigosa para o já frágil mercado: “O Banco Central está forçando todo mundo a acreditar que a economia vai desacelerar e convencendo o mercado de que o próximo passo pode ser a queda nos juros”.

Reviravolta

Para Peter Garnry, chefe de estratégia de mercado do dinamarquês Saxo Bank, os indicadores macroeconômicos brasileiros sofreram uma “reviravolta”, tornando possível uma retomada de investimentos do exterior a médio prazo: “Colocamos as ações brasileiras de volta à mesa com os recentes dados da produção industrial sinalizando que a macroeconomia bateu o fundo e as coisas estão começando a melhorar”.

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A produção industrial sofreu um leve aumento, chegando a 47,4% em janeiro deste ano – o maior nível em 11 meses. Porém, o índice de produção industrial ainda permanece abaixo da média para sair da contração.

Para Garnry, as ações brasileiras estão sendo negociadas a dez vezes do lucro, o que as torna atraentes aos investidores estrangeiros. Entre as ações, destaca-se a Ambev (ABEV3), considerada uma das melhores ações para os mercados em países emergentes.

Sem esperança

Para Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, por hora não existe um cenário positivo para o futuro. Segundo Pestana, usar juros altos para segurar a inflação pode ser uma medida temporariamente útil e responsável, mas pode acarretar em efeitos colaterais na economia. Para ele, o correto a ser feito é sair da inércia e tomar medidas urgentes, como o corte de gastos.

Ainda segundo Enéas Pestana, a desconfiança do consumidor, somado ao crescimento do desemprego, refletem um ano de dificuldades superior a 2015: “A demanda está muito retraída.

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Há uma desconfiança profunda dos consumidores, principalmente, porque estão muito preocupados com o seu emprego. O desemprego subiu demais, e este é um dos principais indicadores da economia, se não for o principal”. #Governo #Crise econômica