A recessão vem afetando o varejo físico nacional, como é possível observar pelo grande número de lojas que foram fechadas no país em 2015 e, consequentemente, a redução de postos de trabalho no setor. Essa situação, além das questões atreladas à política econômica do país, passa também por uma mudança no comportamento do consumidor, que em janeiro de 2016 teve um fluxo 6,7% menor nas lojas físicas em relação ao mesmo período de 2015.

Segundo Caio Camargo, diretor de Relações Institucionais da Virtual Gate, empresa responsável pelo monitoramento no tráfego de pessoas em mais de 1.200 estabelecimentos em todo o país, a queda no fluxo de pessoas no início deste ano vem seguindo a tendência apresentada em 2015, ano que “fechou com uma redução de fluxo que obedeceu às tendências de curva de fluxo sazonais de mercado, mas apresentou uma queda quase que no mesmo nível durante todo o ano, se comparado com 2014”.

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Tendência deve se repetir em 2016

Para 2016, Camargo considera que o quadro deve se repetir em decorrência do momento recessivo pelo qual o Brasil vem passando: “A tendência é que neste ano, pelo menos inicialmente, esse caminho seja parecido. Ou seja, o mercado apresente números mais reduzidos, por conta da situação econômica”, diz.

De acordo com ele, até o momento não foi possível identificar um movimento anormal no índice, registrado há pelo menos três anos, mas divulgado ao mercado apenas a partir de 2014. Assim, “no mês que sobe, sobe em todos os anos, no mês que desce, desceu em todos, mas sempre com números comparativamente menores”. “A alteração não tem sido pontual, tem se mostrado distribuída ao longo do ano. O fluxo de lojas vem reduzindo, a partir de 2014, nos meses quando comparados”, aponta.

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Interesse de compra

Mais do que necessariamente indicar a redução das vendas e, consequentemente, do lucro das lojas físicas, a análise do fluxo de pessoas está relacionada ao interesse de compra dos consumidores que entram nos estabelecimentos buscando por determinados produtos ou serviços pelos quais estão interessados. Nesse aspecto, Caio Camargo aponta uma queda no interesse de compra ao longo dos períodos.

Segundo ele, “de cada cinco pessoas que entram em um ponto-de-venda, apenas uma compra”. As razões para a não realização da compra são variadas, compreendendo “desde o 'não atendimento' até questões como mix, preços, condições, etc.”. Trabalhando com a noção de taxa de conversão aplicada aos estabelecimentos físicos, que corresponde à relação entre o fluxo de pessoas e as vendas, Camargo aponta que a média do mercado tem sido entre 17% e 20%. Porém, o índice pode ser ainda menor, como em “alguns mercados nos quais a decisão de compra é mais cognitiva, como o setor de eletroeletrônicos, por exemplo.

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Nesses casos de mercado, a média tem sido entre 5% e 10%”.

A cultura da taxa de conversão já é algo bastante aplicada à internet, sobretudo no comércio eletrônico, e agora vem servindo de instrumento para que o varejo físico desfaça alguns mitos, como a ideia de que todos são sempre atendidos: “Tem-se a impressão que se atende quase todo mundo, mas todo mundo tem uma experiência de consumo para contar na qual entrou em uma loja e não foi atendido”, afirma. “Se um gerente diz que não vende mais porque não entram mais pessoas na loja, a questão agora é saber quantas pessoas deixaram de entrar e quanto mais de pessoas ele precisa que entrem na loja para que possa perseguir suas metas”. Assim, “Não dá mais para 'achar' no varejo. É tempo de 'saber'”, conclui. #Negócios #Crise econômica #Crise no Brasil