Durante uma visita oficial ao Chile realizada na última sexta-feira (26), a presidente Dilma Rousseff declarou que o Brasil possui um mercado confiável e, por este motivo, atrativo para os investidores internacionais. Para Dilma, os investimentos diretos realizados no ano passado – no valor de 75,1 bilhões de reais – junto ao superávit da balança comercial de 19,68 bilhões são “os melhores resultados desde 2011”.

Quanto às expectativas para 2016, a presidente disse sobre “manter a boa imagem do país” diante do cenário internacional: “Todas as medidas que estamos tomando produzirão resultados ainda mais robustos em 2016, mantendo o Brasil como destino de investimentos e construindo condições para a recuperação de boas notas das agências classificadoras de risco”.

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Realidade

Em contrapartida às declarações e expectativas de Dilma, estão os recentes dados de instituições econômicas. Segundo o Boletim Focus, por exemplo, a economia brasileira retrocedeu 3,8% em 2015 e deve retroceder mais 3,4% este ano, tornando-se o pior cenário de crise desde a década de 1930. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o índice de recessão pode superar “a casa dos 6%”.

Sobre o Banco Fibra, os dados podem ser ainda mais graves. Segundo o banco, estima-se que haja uma retração na economia de 4,5% em 2016 e um aumento de 12,5% no índice de desemprego. O Banco BNP Paribas, por sua vez, prevê um aumento um pouco mais baixo ao #Desemprego e à recessão – 10,4% e 4%, respectivamente.

Hiperinflação e dólar a R$ 5

O banco francês Natixis e o suíço UBS divulgaram dois cenários preocupantes para os próximos anos, baseados nos dados mais recentes sobre a economia brasileira.

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Para o Banco Natixis, se o ano de 2017 mantiver uma recessão a 3,2% e um déficit fiscal de 2%, a dívida pública poderá crescer para quase 90% do PIB (89,5%) e a #Inflação chegaria a 29%.

Já para o Banco UBS, a hipótese mais provável torna a #Crise econômica quase insustentável: “O exercício indica, por exemplo, que a inflação poderia pular a 22% se o governo não conseguir melhorar o balanço primário, além de déficit de 1% e dívida bruta de 80% do PIB”.

Para o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, o cenário hipotético remonta à situação econômica antes do Plano Real: “Teríamos um juro muito elevado a um custo de carregamento de dívida monstruoso e o dólar acima de R$ 5. Isso não significa que seja insustentável, mas que vamos voltar a um horroroso cenário com dominância fiscal e retorno do overnight”.

Para muitos economistas – incluindo o governo e o Banco Central – manter a inflação alta é uma solução cabível para solucionar a crise, mas para Ramón Aracena, economista-chefe do Institute of Internacional Finance na América Latina, esta não é a melhor opção: “Os investidores que estão na América Latina sabem como investir em um cenário como esse de alta inflação, então esta alternativa deverá ter uma curta duração”.