O Conselho de Administração da Usiminas aprovou por sete votos a três um aporte de R$ 1 bilhão na siderúrgica de Ipatinga. A decisão de injeção de capital, via emissão de ações negociadas na Bolsa de Valores, foi unânime, mas expôs as divergências entre os dois maiores controladores da siderúrgica. A decisão ainda precisa ser referendada por uma assembleia geral extraordinária, cuja data deverá ser definida na próxima sexta (18).

A operação financeira é fundamental para que a empresa possa se livrar de um pedido de recuperação judicial. A empresa apresentou prejuízo no ano passado de R$ 3,6 bilhões, e, também, registrou geração de caixa negativa nos dois últimos trimestres do ano.

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As dívidas, junto a bancos e fornecedores, chegavam, no final de 2015, a R$ 5,9 bilhões, sendo que R$ 1,9 bilhão vencem este ano.

Os dois grupos controladores - o grupo japonês Nippon Steel & Sumitomo e o ítalo-argentino Techint/Ternium - divergiram no volume de injeção. Enquanto venceu na Nippon, de R$ 1 bilhão, a Techint/Ternium estima um aporte de R$ 536 milhões.

Um terceiro grupo - representado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CNS) - também briga pelos volumes da injeção de capital na siderúrgica. Temendo que sua participação diminua dos atuais 14%, o empresário e presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, acionou a Justiça de Minas com um pedido de liminar contra a aprovação do aumento de capital.

Aprovado o aumento de capital, a primeira medida emergencial será uma negociação conhecida como stand still  - moratória do pagamento de juros e amortizações - de 90 a 180 dias.

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A empresa não tem mais dinheiro em caixa para honrar seus compromissos.

Situação

As dificuldades financeiras e a retração do mercado de aço no Brasil, já levaram a empresa a demitir, no final de janeiro, 2 mil funcionários da unidade de Cubatão (ex-Cosipa, na Baixada Santista, no Estado de São Paulo). Na semana passada, a empresa deu licença remunerada para cerca de 1.300 funcionários de áreas essenciais na produção, o que totaliza cerca de 2.500, até a próxima semana.

Dos seus cinco alto-fornos, apenas dois estão acesos, ambos em Ipatinga. Em Cubatão opera somente a área de Laminação. #Desemprego #Crise #Crise econômica