Uma decisão tomada pelo Conselho Administrativo dos Correios, no final do mês passado, vai afetar a todos os funcionários do órgão, inclusive os aposentados e pensionistas. Ficou acertado que toda a classe vai ser obrigada a arcar com o rombo do fundo de pensão, o Postalis. A decisão, que já vinha sendo adiada, teve seu desfecho com um resultado que irá atingirá a todos. 

71 mil funcionários da ativa e 30 mil aposentados deverão arcar com o prejuízo a ser pago em 279 meses

A reunião promovida pelos dirigentes administrativos decidiu pela cobrança de uma contribuição extra de 17,92%, que será descontada a partir dos próximos salários pagos no mês de maio e se estenderão até o ano de 2039.

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Após sucessivos acordos feitos com a Superintendência de Previdência Complementar (Previc), a instituição e o Postalis, nenhuma outra solução foi encontrada, o que precipitou a decisão tomada. De acordo com os dados do órgão, somente o plano tipo BD, que contempla os funcionários que foram admitidos antes de 2005, acumula um prejuízo de R$ 5,6 bilhões contabilizados até dezembro de 2014. 

A conta cobrada dos funcionários seria bem mais alta

Desde o mês de março do ano passado, as negociações entre o Conselho Administrativo e os demais setores do órgão tentaram barrar uma cobrança que ficaria em torno de 25,98%. A decisão foi parar na Justiça, que decidiu adiar a cobrança para o ano de 2016.

Os prejuízos começaram a ser contabilizados a partir de 2011, com os investimentos mal sucedidos feitos pelos gestores do órgão.

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Inicialmente, foi elaborado um plano que fixava a cobrança em 3,94%. Entretanto, como nos dois anos seguintes, a dívida cresceu assustadoramente e o seu valor teve que ser revisto.

Aposentados, pensionistas e funcionários da ativa vão contribuir de maneira diferenciada

Pela decisão do Conselho, o pagamento da contribuição extra deverá ser diferenciada. Para quem é inativo, serão descontados uma alíquota de 17,92 % sobre o que cada um recebe de aposentadoria complementar e não sobre o que se recebe do INSS. Para esta classe, os efeitos serão mais dolorosos. Para quem está na ativa, esta mesma alíquota não incidirá sobre o salário atual, mas sobre o que deverá ser pago a cada um como benefício futuro na época da aposentadoria. Segundo os Correios, no ano de 2015, o rombo no Postalis chegou a R$ 400 milhões, que deverá ser incluído também na cobrança quando for equacionado mais adiante.

Uma auditoria do TCU detectou várias irregularidades no fundo de pensão

Em uma recente auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), várias situações irregulares foram identificadas.

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Por exemplo, foram encontrados 48 autos de infração no fundo por parte da Previc. Além disto, foram feitos aportes de dinheiro em grupos de capital fechado como o Canabrava, do setor sucroalcooleiro, da ordem de R$ 167 milhões. Com o Postalis, somam-se quatro outros fundos que transferiram dinheiro para a empresa. A suspeita é que tenha havido prejuízo total, pois o grupo atuava no mercado financeiro, sem a devida cotação de suas ações que suportassem os investimentos.

Diante das irregularidades, o seu presidente anterior, Antonio Conquista, ligado ao PT, antecipou a sua saída que estaria previsto para 2018. O atual dirigente, Paulo Cabral Furtado, cuja indicação foi feita pelo PDT, deverá ter pela frente a difícil missão de gerir o milionário rombo da instituição. #Governo #Finança #Corrupção