Bons profissionais estão desempregados e esse contingente têm aumentado ao longo dos últimos meses. Basta dar uma olhada superficial nas redes sociais para verificar tal situação. Um exemplo é o website de relacionamento profissional LinkedIn® que, como o próprio slogan revela, é orientado a trocas de experiências e oportunidades de trabalho entre os seus usuários. Aquele que tem seu registro nesta rede pode identificar, por entre suas conexões, dezenas e, inclusive, centenas de usuários desempregados que buscam oportunidades de emprego, diariamente. Há registros de profissionais que estão desempregados há mais de um ano, dependendo do setor de atuação.

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E o que mais impressiona é a qualificação dos desempregados que, noutro momento da economia, estariam sendo disputados pelo mercado.

Obviamente, que dentre os 9,5% da população ativa para o trabalho que se encontra desempregada, a sua ampla maioria não se enquadra no que podemos identificar como profissionais qualificados. Isso pode parecer destoante se considerarmos os números de trabalhadores qualificados por programas sociais como o Pronatec do Governo Federal, nos últimos quatro anos, por exemplo. Afinal, foram milhões de trabalhadores qualificados em suas áreas de atuação. Ocorre que este tipo de qualificação não desenvolve o indivíduo, apenas o treina. Isso sugere a ocorrência de uma aguda desagregação entre os processos de qualificação profissional e a elevação de escolaridade,  além do desalinhamento entre a oferta de cursos e as reais demandas do mercado de trabalho.

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O resultado é esse que nos salta aos olhos.

De acordo com a última pesquisa PME, apresentada pelo IBGE, com referência ao mês de fevereiro de 2016, o período médio para a inserção de um candidato no mercado de trabalho variava de 30 dias (24%), até 6 meses (45,1%), até 11 meses (10%), de 1 a 2 anos (13,4%) e mais de 2 anos (7,5%). Como esta pesquisa avalia os termos sobre emprego e renda independentemente do regime de contratação ou modelo de trabalho estabelecido, na prática estes números podem ser bem piores. De acordo com os dados divulgados pelo CAGED, com referência ao mês de fevereiro de 2016, foram fechados 104.582 postos de trabalho - aqueles com carteira de trabalho assinada. Foi a pior retração identificada para o período nos últimos 25 anos.

E para os profissionais do conhecimento - em especial aqueles de níveis gerenciais e executivos - o cenário parece ainda mais assustador. Uma pesquisa realizada pela empresa de Consultoria Hays em parceria com a ESPM, revelou que 20% dos analistas, gerentes e presidentes de empresas instaladas no Brasil chegaram ao fim de 2015 desempregados.

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Outro ponto é que o emprego está fundamentalmente correlacionado com o nível de atividade econômica e com o equilíbrio das áreas de trabalho. Ou seja, ainda que haja uma formação de excelência, sem planejamento, a inserção dos novos profissionais no mercado de trabalho depende de outras variáveis que, muitas vezes, não estão relacionadas com a preparação desses profissionais para o mercado.    #Educação #Desemprego #Crise econômica