Recentemente, o presidente da República em exercício, Michel Temer, concedeu entrevista coletiva e revelou a adoção de medidas, visando cobrir um rombo projetado na casa de R$ 170 milhões nos cofres federais. Neste sábado, Luiz Carlos de Mendonça Barros, em depoimento ao Estadão, fez um alerta ao governo vigente. Segundo o economista, qualquer iniciativa a ser tomada deve, acima de tudo, preservar a sociedade.

"A crise criou um ambiente propicio para a sociedade aceitar medidas duras. Você olha o déficit, o desemprego, a inflação. O Governo não pode errar na mão", disse Mendonça de Barros, lembrando que Temer está no poder devido ao processo de impeachment de Dilma Rousseff e uma decisão errada pode levar à perda de apoio tanto do Congresso Nacional quanto dos demais ramo da população.

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"Temer está eleito em função de uma crise. É um mandato capenga", acrescentou.

Henrique Meirelles também foi analisado por especialista

Atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles também não escapou das críticas. De acordo com Luiz Carlos Mendonça de Barros, o principal articulador da equipe econômica do presidente Temer implantou propostas bastante radicais. A maior delas é criar um limite de gasto incorporando somente o PIB (Produto Interno Bruto). Para ele, é, no mínimo, um contrassenso dizer, com certeza, que não haverá crescimento tanto da despesa quanto do salário, pois teria o risco de provocar uma paralisia.

Para Mendonça de Barros, somente o tempo dirá se as medidas tomadas foram as corretas. Além disso, ele questiona as declarações do governo de que haverá uma alocação de verbas para a saúde e educação com essas medidas.

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"É claro que haverá perdas. A conta é para todo mundo.Isso precisa ser dito", esclareceu.

No entanto, o fato de colocar os gastos como o foco central do pacote anunciado é totalmente positivo.

"O superávit primário passa a ser uma decorrência do tempo de gastos", resumiu.

Citação a Fernando Henrique Cardoso

Luiz Carlos Mendonça de Barros fez parte dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardos (1994 a 1998 e 1998 a 2002) e, durante a conversa com o Estadão, o ex-presidente teve seu nome citado. Segundo o economista, em ambas as passagens, o principal nome do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) teve, como virtude, estabelecer as metas de cada passagem.

"Fernando Henrique dizia que seu primeiro mandato foi para estabelecer a moeda (Real). Entender qual o mandato do Temer é uma questão central", encerrou.  #Crise econômica #Crise no Brasil