No final da manhã desta terça, Michel Temer anunciou, um dia depois de entregar, ao Congresso Nacional, um pedido para o governo registrar, em 2016, um rombo de R$ 170 milhões, duas medidas que visam conter os gastos públicos e retomar o crescimento econômico do Brasil. Depois da comunicação feita pelo presidente da República em exercício, alguns especialistas, em entrevista concedida ao portal G1, da Globo.com, teceram algumas opiniões sobre o assunto.

Economista-chefe da Nova Corretora Comercial, Pedro Paulo Silveira adotou um tom cético quanto ao futuro. Segundo ele, haverá uma queda da relação entre a dívida bruta do Governo e o PIB (Produto Interno Bruto), o que pode até melhorar a contabilidade do prejuízo, mas não afetará o déficit primário.

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Pensamento semelhante teve Júlio Miragaya. De acordo com o presidente do Conselho Federal de Economia, essas medidas não são efetivas, mas sim uma necessidade de dar uma satisfação ao povo ávido por mudança depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff (responde a um processo de impeachment). De maneira mais contundente, ele acrescentou que, dependendo do ponto de vista, pode ser classificado como uma pedalada fiscal.

Já Alex Agosting, da Austin Rating, adotou um discurso mais otimista, lembrando que o novo governo está trabalhando a pouco menos de duas semanas e que o cronograma está dentro do elaborado no sentido da busca pela austeridade. Ele só lamentou não ter havido alguma medida efetivamente de corte de despesa. A falta de esclarecimento sobre como aumentar a receita via imposto também foi questionada por Agostini.

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Professor da FIA, Alexandre Cabral foi o mais otimista, especialmente quanto ao fato de haver um teto nas despesas públicas e os impostos permanecerem com o valor atual.

"Vamos cuidar da nossa economia nas despesas e não aumentando impostos", declarou Cabral.

Mônica de Bolle preferiu analisar tudo de forma mais pragmática. Para a economista e pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, há mais clareza em relação ao que acontecia durante o governo Dilma, mas é necessário esperar o futuro para se ter uma avaliação real do que foi divulgado.

A primeira medida anunciada por Michel Temer está diretamente relacionada ao BNDES (Banco nacional de Desenvolvimento Social), que terá de devolver R$ 100 bilhões em recursos repassados pelo Tesouro Nacional. Outra proposta é estabelecer um teto dos gastos públicos, prevendo-se, assim, que a alta desses gastos não ultrapasse ao índice inflacionário do ano anterior. #Crise econômica #Crise no Brasil #Dentro da política