Muitos analistas econômicos - principalmente jornalistas da área, como Miriam Leitão e Sardenberg - diziam que o governo Temer botaria a economia do Brasil nos eixos e acalmaria o mercado especulativo, melhorando os rendimentos da Ibovespa e a flutuação do dólar, que havia caído mais de cinquenta centavos em relação ao real, durante 2016, mas que, ainda assim, continuava alto.

No entanto, durante as três semanas de governo Temer, o índice Ibovespa acumulou uma queda de 7,3% (em 11 de maio, dia anterior ao afastamento de Dilma Roussef, a bolsa estava em 52.894 pontos e, atualmente, está em 49.051 pontos) e o dólar voltou a se valorizar perante o real, subindo cerca de 4,5% (de R$ 3,44 para R$ 3,61), demonstrando que a reação dos mercados aos primeiros movimentos econômicos de Temer foi negativa.

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Casos como o aumento da meta de déficit para 2016 - com Dilma, estava em R$ 96,7 bilhões e, com a nova aprovação do senado, passou para mais de R$ 170 bilhões - repercutiram mal nos índices da bolsa. Tal medida, unida ao intenso arrocho fiscal proposto por Temer, tende a fazer a #Crise econômica se intensificar cada vez mais, diminuindo a arrecadação e a possibilidade de investimentos públicos.

Mas também há outros motivos para a reação negativa dos investidores: o escândalo das gravações entre Jucá, Renan Calheiros, Sarney e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, também fizeram com que os índices desabassem. Nos áudios, torna-se manifesta a intenção da alta cúpula do PMDB em acabar com a Lava Jato e, mais ainda, de ter conspirado contra Dilma exatamente porque a presidenta deixava as investigações da operação correrem livremente.

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Em relação ao dólar, porém, alguns economistas (entre os quais o ex-ministro da fazenda, Bresser-Pereira) defendem que uma valorização muito forte do real faria com que a recuperação econômica do país demorasse ainda mais para ocorrer. Um dos mais importantes exportadores de commodities do mundo, mas também importador de bens de consumo, o Brasil depende de uma relação saudável entre a sua moeda e o dólar para viabilizar o superávit da balança comercial e estabilizar a economia local. Uma supervalorização do dólar prejudica o país na mesma proporção que um real muito valorizado, já que, se a moeda brasileira estiver demasiadamente cara, a exportação diminuí e há déficit comercial, afetando, por exemplo, a criação de empregos, ao passo que, durante uma valorização excessiva do dólar, o processo inflacionário no Brasil intensifica-se, diminuindo, portanto, o consumo interno e também causando desemprego.  #Michel Temer