Acompanhando a tendência demonstrada desde a posse do presidente interino Michel Temer, o mercado financeiro reagiu mal à delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, na qual foram citados nomes da alta cúpula do #PMDB, entre os quais Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros e Jader Barbalho. Machado também citou caciques do PSDB, acusando - mais uma vez - o senador Aécio Neves de receber propina e relatando o esquema de corrupção durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Nesta quarta-feira (15 junho), após uma forte queda, o índice Ibovespa conseguiu se recuperar levemente e se manter na faixa próxima dos 49.000 pontos.

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O dólar, porém, subiu. A moeda estadunidense, aliás, abriu, nesta quinta-feira, com valorização próxima de 0,70%, cotada a R$ 3,48.

Em comparação ao dia anterior à posse do presidente interino, a Ibovespa acumula queda de 7,8% (no dia 11 de maio estava em 52.894 pontos) e o dólar subiu 1,1% (estava, na data do afastamento de Dilma Roussef, em R$ 3,44). Ou seja, além do Brasil ter perdido investimentos estrangeiros - evidenciados na queda da moeda estadunidense -, também está com o mercado de ações instável.

A delação e a mudança de rumo que pode tomar o impeachment

#Michel Temer, segundo Sérgio Machado, negociou propina para a candidatura de Gabriel Chalita (então no PMDB e hoje no PDT) para a prefeitura de São Paulo em 2012. Na ocasião, Chalita não chegou ao segundo turno e passou a apoiar Fernando Haddad, do PT.

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O ex-Secretário da Educação sairá como vice de Haddad nas eleições deste ano.

Com a aproximação da votação definitiva do impeachment de Dilma Roussef no Senado Federal, há a preocupação, por parte do governo interino, de que as delações envolvendo os principais articuladores do impedimento da presidenta eleita poderão causar uma reviravolta e ocasionar o retorno de Dilma à presidência. A possibilidade de Eduardo Cunha ter o mandato cassado e negociar uma delação premiada com a Justiça causa um grande temor na cúpula do PMDB, já que Cunha foi quem colocou o processo de impeachment em pauta e é um dos maiores causadores da vitória do impedimento na Câmara. 

Embora Teori Zavascky, ministro do STF, tenha negado todos os pedidos de prisão feitos pelo Procurador Geral da República - Rodrigo Janot -, a presença constante de Renan Calheiros em listas de envolvidos em propinas da Lava Jato também pode mudar o jogo do impeachment no Senado Federal.  #Crise econômica