A chegada do Uber ao Brasil transformou a relação entre consumidores e motoristas. Para os passageiros, a nova concorrência só trouxe vantagens: serviço de melhor qualidade pela metade do preço. Mas para quem antes detinha o monopólio do setor, os taxistas, a entrada da empresa pela porta dos fundos - começou a operar no país sem as devidas garantias legais - trouxe um grande prejuízo e uma piora na qualidade de vida. De acordo com pesquisa realizada pelo G1, o número de corridas de #Táxi em São Paulo caiu pela metade desde que o #UBER começou a operar. Isto significa que os taxistas que desejam manter seu padrão de vida precisam agora trabalhar o dobro de horas que trabalhavam anteriormente.

Publicidade
Publicidade

Um profissional revelou ao site que chegava a ganhar R$ 400 por dia com seu táxi. Hoje ele ganha este valor por semana, trabalhando doze horas por dias, todos os dias, sem descanso.

O taxista Marcelo de Jesus Torres, taxista há 21 anos, confessa ao G1 que, quando o aplicativo chegou ao Brasil, ele não se preocupou. Mas agora vê que o Uber já dominou São Paulo. Ele diz que, atualmente, quem pega táxi são pessoas mais idosas, que não tem celular. "O que eles querem é quebrar os taxistas. O que eles estão fazendo com os valores é ridículo, um motorista do Uber não consegue sobreviver com o que ele ganha. Do jeito que tá, no final do ano não vai ter mais táxi rodando em São Paulo", opina.

Já o taxista Kauã Barbosa Alves acredita que a queda do movimento não é apenas culpa do Uber, mas também da crise que o país enfrenta.

Publicidade

Embora acredite que o Uber é um concorrente desleal, Kauã vê com bons olhos o aumento da concorrência. "Concorrência é sempre bom, faz com que todos melhorem. Acredito que nos próximos dez anos vou continuar trabalhando com táxi, mas não é o que eu quero pro resto da vida", diz ele, que trabalha doze horas por dia.

Outro taxista, Paulo da Silva, confessa que seu rendimento caiu de 50% a 60% com a chegada da empresa americana. Ele concorda com Kauã, e diz que a queda no faturamento é resultado não só do que ele chama de concorrência desleal do Uber, mas também da crise econômica. "Esse é meu pior ano, de todos esses seis anos que sou taxista. Eu trabalhava de 12 a 14 horas por dia e ganhava de oito a dez mil reais por mês (valor bruto). Hoje em dia é difícil fazer quatro ou cinco mil", revela.