A economia do Brasil encolheu pelo seguno trimestre consecutivo, entre abril e junho, mas os investimentos cresceram pela primeira vez desde 2013 e alimentou as esperanças de uma recuperação modesta na sequência do impeachment da ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que ocorreu na última quarta-feira (31).

O produto interno bruto caiu 0,6% no segundo trimestre em comparação com o primeiro, segundo a agência de estatísticas IBGE. Um pouco mais do que os 0,5% esperado por economistas do país.

Os investimentos subiram para 0,4%, porém, esse foi apenas o primeiro aumento após 10 trimestres seguidos de contração. A produção industrial do Brasil também atingiu um ponto de inflexão, subiu após a redução de cinco trimestres consecutivos.

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"Nós já atingimos o valor do fundo monetário internacional no segundo trimestre", disse José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, em São Paulo. "Podemos ver a economia brasileira se estabilizando no terceiro trimestre e alguns crescimentos no quarto”.

O otimismo sobre o final da pior recessão do Brasil em décadas pode impulsionar a popularidade do novo presidente do Brasil, #Michel Temer, enquanto ele se prepara para propor pensões e reformas trabalhistas, que os investidores enxergam como cruciais para restabelecer a nação como uma estrela no mercado emergente.

A recessão foi uma das mais graves, desde a crise de 2008, deixou 1,7 milhões de trabalhadores desempregados ao longo dos últimos 12 meses e custou à nação a sua classificação de crédito de grau de investimento duramente conquistada mundialmente. A economia ainda é esperada para contrair mais de 3% em 2016, antes de crescer 1,2% em 2017, de acordo com as previsões do mercado brasileiro.

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"A economia já está respondendo à mudança de governo", disse Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, que espera que a economia se recupere com 2,1% em 2017.

As previsões de Oliveira assumem a aprovação de reformas econômicas no Congresso e uma série de cortes de juros nos próximos meses. O Banco Central aguarda para deixar a sua taxa de referência em 14,25%, por enquanto, o nível mais alto em quase uma década, a inflação permanece presa em cerca de 9%.

Embora os investimentos e da produção industrial sinalizem uma recuperação iminente, o desemprego provavelmente continuará se arrastando sob o consumo. O consumo das famílias caiu em 0,7% no segundo trimestre, sua sexta queda consecutiva.

Uma moeda mais forte também pode limitar o crescimento do Brasil nos próximos trimestres, fazendo bens locais menos competitivos. As importações cresceram cerca de 4,5 % no segundo trimestre, ultrapassando o crescimento das exportações, como o real brasileiro fortalecido por 22% neste ano.

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 "Os desafios à frente da nova equipe econômica são grandes. Todas as apostas estão em investimentos, uma vez que o consumo das famílias, gastos do governo e as exportações tendem a ter um efeito neutro na melhor das hipóteses”, garante André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

O produto interno bruto do Brasil caiu em 3,8 % durante o ano passado, segundo o IBGE. #Dilma Rousseff #Crise econômica