Na tentativa de reduzir os gastos públicos o governo Temer pretende propor uma reforma na previdência. Uma das principais medidas é o estabelecimento de uma idade mínima para homens e mulheres, que só poderão se aposentar a partir dos 65 anos.

A proposta, válida tanto para servidores públicos como para trabalhadores do sistema privado, tem causado indignação principalmente porque atinge também àqueles trabalhadores que atualmente têm direito a um regime de aposentadoria especial. Pessoas que trabalham em atividades de risco ou com agentes químicos e biológicos nocivos, bem como professores, têm direito a requerer sua aposentadoria antecipadamente, de acordo com a função exercida.

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No caso de professores, é possível se aposentar com 5 anos a menos de contribuição, vantagem motivada pelo desgaste da profissão diante das condições precárias enfrentadas por esses profissionais no sistema educacional brasileiro: salas lotadas, indisciplina, violência dentro das escolas, jornadas múltiplas (além de lecionar, professores precisam preparar aulas, material adicional, além de lidar com a burocracia, tudo isso fora do horário de trabalho), desgaste pelo uso constante da voz, entre outros problemas.

Com a reforma a ser apresentada, professores com menos de 45 anos passariam a estar submetidos à regra da idade mínima (no caso da população geral, essa regra passa a valer para indivíduos abaixo dos 50 anos) e aqueles acima dessa idade pagariam uma espécie de "pedágio" referente ao tempo que lhes falta de contribuição para se aposentar.

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A justificativa principal para a mudança está no aumento da expectativa de vida da população brasileira.

O que o governo deixa de levar em conta, no entanto, é que o professor continua a trabalhar sob as mesmas condições de estresse, sendo obrigados ainda a pagar por tratamento médico para além do que é oferecido pelo SUS, para que consigam lidar com uma profissão nada valorizada no Brasil e que resulta em uma saúde debilitada logo nos primeiros anos de exercício da carreira docente.

De acordo com o médico Franklin Albuquerque, em entrevista para o Mídia Popular, as consequências de obrigar o professor a passar mais tempo em sala de aula podem ser graves, uma vez que na atual situação já se encontram sujeitos a apresentarem sérios problemas nas cordas vocais, na coluna, cardíacos, bem como distúrbios psíquicos e outras debilidades. Nesse sentido, ao ignorar as necessidades especiais dos educadores, o governo pode vir a enfrentar, no futuro, um problema de saúde pública que terá o professor como protagonista. #Educação #Michel Temer #PrevidenciaSocial