Fique de olho na próxima conta de luz. Se sua casa está na média brasileira — 150 kWh (quilowatts-hora) por mês —, de acordo com a Agência Nacional de #energia elétrica (Aneel), o total da conta subirá R$ 2,25.  Parece pouco? Pense que, no Brasil, há 67 milhões de domicílios, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e essa conta vai a mais de R$ 150 milhões. Parece pouco? Lembre-se que esses R$ 2,25 saem do seu bolso. Se a situação persiste por 12 meses, o total chega a R$ 27. Pronto: você já perdeu 2 kg de carne moída de segunda para a bandeira amarela.

Bandeira amarela é um modo de dizer que você vai ter de pagar mais pela energia.

Publicidade
Publicidade

O governo chama isso de transparência, o que não está errado. Mas o certo mesmo é que, a partir deste mês de novembro, isso significa R$ 1,50 a cada 100 kWh consumidos. A mudança acontece após relatório do Programa Mensal de Operação (PMO) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontar que a condição hidrológica está menos favorável. Condições desfavoráveis de clima, principalmente a falta de chuvas nas regiões Norte e Nordeste, levaram a agência a rever a sinalização.

Menos chuva, menos energia

Em outras palavras, não há água suficiente para acionar as turbinas das usinas hidrelétricas do País. Sem essa eletricidade, o governo tem de recorrer a usinas térmicas, que custam mais caro porque dependem de óleo combustível ou gás natural. Não dá para simplesmente desligar as turbinas hidráulicas e esquecer: haveria apagões em partes do Brasil.

Publicidade

As bandeiras tarifárias foram criadas pela Aneel com o objetivo de sinalizar aos consumidores os custos reais da geração de energia elétrica. E cobrar.

É simples: cada cor de bandeira na #conta de luz — verde, amarela ou vermelha — indica se a energia custará menos ou mais em função das condições de geração. O governo diz que não é um custo extra, como está explicado no Portal Brasil (Brasil.gov.br) e no site da Aneel (www.aneel.gov.br). Mas o ideal é que a bandeira fosse sempre verde: os preços seriam mais baixos. A pior é a vermelha, que aumenta ou R$ 3,00 ou R$ 4,50 — são dois patamares — para cada 100 kWh.

Tarifa e preço

O aumento incide sobre o fornecimento, isto é, a tarifa cobrada. De acordo com cartilha da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o valor da conta separa bem o que é preço e tarifa, em geral objeto de confusão pelo consumidor. Tarifa é o valor a ser cobrado pela prestação dos serviços de geração, transmissão e distribuição de energia. Já o preço é a composição da tarifa com os impostos.

Publicidade

O preço final é igual à tarifa somada a ICMS e PIS/COFINS.

O valor varia conforme a região do país. Pode ir de R$ 264 por MWh no Sul a R$ 303 no Norte do País — média de R$ 276. Isso significa R$ 0,276 por kWh., mais os impostos. O que leva o preço do kWh a até R$ 0,57, dependendo da região. Na soma final, uma conta de 150 kWh chega a R$ 85,50 por mês. Mais os R$ 2,25, final geral de quase R$ 90.

Até quando?

Em 2015 inteiro até fevereiro de 2016, a bandeira vermelha — tarifa mais elevada — esteve em vigor. Entre fevereiro de 2015 e março de 2016, foi amarela. A bandeira verde, sem nenhuma cobrança adicional, começou a vigorar em abril deste ano. Agora, está voltando a amarela.

Quando tempo vai durar? Ninguém sabe. Os meteorologista apontam que Norte e Nordeste devem enfrentaram secas fortes no próximo período chuvoso — que começou em outubro e vai pelo menos até abril do ano que vem. A previsão é de chuva entre 35% e 45% da média histórica das regiões. Sem chuva, não há água nem energia. E a bandeira fica mais cara. #Economia