A Black Friday está chegando e muitos consumidores entram em catarse diante da possibilidade de comprar aquela televisão dos sonhos em parcelas a perder de vista e ainda por cima com descontos atraentes. Se você é do tipo que fica tentado quando passa em frente a uma loja e vê o cartaz oferecendo celulares, tênis, calças, bolsas, computadores e maquiagem, tudo dividido em longos 10 meses, é bom ter cuidado. O que parece ser um ótimo negócio, para os economistas é uma armadilha nas contas pessoais.

Para a maioria dos consumidores parece lógico que dividir uma compra em 10 ou mais vezes, sem juros, é uma saída inteligente e financeiramente vantajosa quando a loja não oferece desconto no valor do produto à vista, como quase sempre acontece.

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Porém, entre economistas e financistas, essa mentalidade só deveria valer se a pessoa mantivesse investimentos rendendo juros, já que poderia pagar o bem adquirido em parcelas apenas com os dividendos da aplicação, sem mexer no montante.

Comportamentos assim, no entanto, são exceção entre os brasileiros. O hábito de poupar aqui é muito menor quando comparado até mesmo a vizinhos de continente, como argentinos e chilenos.

O risco de se dividir tudo em tantas parcelas é simplesmente menosprezar o seu impacto sobre o orçamento e até mesmo esquecer que elas existem, levando as pessoas a fazerem novas compras, ficarem mais endividadas, até que a soma de tudo o que está pendurado no cartão de crédito ou em carnês comprometa completamente seu poder de pagamento.

Faça as contas

Alguns economistas e consultores fazem uma comparação bastante razoável para explicar o problema: imagine que após pagar todas as suas contas você ainda fique com R$ 300 sobrando em sua conta.

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No mês seguinte, com esse calor todo, foi praticamente impossível resistir ao circulador de ar, adquirido em cinco prestações de R$ 100.

Como a prestação ainda é pequena, você lembra do seu guarda-roupas e resolve também levar para a casa uma calça nova, dividida em três suaves parcelas de R$ 50. Aquela folga mensal, que era de R$ 300, está agora em R$ 150.

Nos dias seguintes, com calça nova e circulador de ar refrescando a casa, seu carro passa em um buraco, estoura os pneus e danifica a suspensão. O prejuízo de R$ 900 é então dividido em seis vezes de R$ 150.

Daí em diante não é preciso mais fazer conta nenhuma porque o dinheiro disponível acabou. Para qualquer emergência que apareça, como comprar um remédio, você terá que optar para o cheque especial ou deixar de pagar a fatura completa do cartão de crédito, duas opções que devem ser esquecidas, levando-se em conta a taxas de juros cobradas pelos bancos em ambos os casos.

O limite da dívida

Para Robinson Trovó, da Trovó Academy, uma regra básica para ter uma saúde financeira em equilíbrio sugere que as pessoas gastem 20% de seu salário liquido com o pagamento de dívidas, separem 70% para gastos principais e fixos, como aluguel, telefone, água, luz, alimentação e internet.

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Os 10% restantes, sempre que possível, seriam poupados ou investidos.

Seja qual for o produto pretendido, o melhor é evitar qualquer financiamento, comprando à vista e dando preferência a lojas que concedam descontos na compra à vista. Um pouco de planejamento e uma #poupança organizada garantem essa possibilidade. #Black Friday #Finança