Todo ano tem. Smart TV 32 polegadas de R$ 1.510,92 por R$ 1.259,00. Smartphone de R$ 3.512,90 por R$ 2.997,90. Laptop com 8 GB de memória de R$ 5.999 por R$ 3.869,99. As promoções são incríveis — até 80% de desconto em smartphones, notebooks, eletrodomésticos, TVs, roupas, calçados, livros e muito mais — em uma maratona nas lojas físicas e eletrônicas. É a Black Friday, que imitamos dos norte-americanos desde 2010, sempre na última sexta-feira de novembro. Neste ano, cai no dia 25. E vem acompanhada pela pergunta de sempre: vale mesmo a pena?

Para saber isso, é preciso começar pela margem de lucro do comércio. A média dos estabelecimentos é de 24% — caiu 0,9 ponto percentual desde o ano passado — de acordo com a consultoria IDC Brasil.

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Em outras palavras, se o desconto for de 24% o comerciante está apenas girando o estoque, sem nenhum ganho. Já é difícil acreditar que um comerciante faça esse tipo de desconto, para não ganhar nada. Quanto aos descontos de até 80% nos preços, é ainda mais difícil engolir a ideia.

‘Black Fraude’

Em anos passados, houve muita malandragem. Algumas empresas aumentavam os preços dos produtos e, em seguida, davam um desconto na mesma (nem sempre) proporção. O cliente pagava o preço normal achando que era mais barato. Puro golpe. Houve reclamações e os órgãos de defesa do consumidor montaram esquemas de fiscalização. Desde setembro deste ano, por exemplo, os Procons de São Paulo, do Ceará e de outros Estados fazem levantamento de preços para estabelecer se não houve tentativa de fraude.

“Há uma queda da ‘Black Fraude’ nos últimos anos”, disse recentemente Bruno Stroebel, supervisor de fiscalização do Procon-SP.

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Neste ano, os Procons farão plantões especiais. É o caso do Procon-SP, vinculado à Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, que terá um plantão especial de atendimento e um telefone — 151 — para reclamações e denúncias de falsos descontos. Para as redes sociais, o Procon-SP criou a hashtag #ProconSPdeolhonaBlackFriday, pelo qual também é possível reclamar.

No #Black Friday do ano passado, o plantão do Procon-SP fez 1.184 atendimentos pelo telefone. E constatou como principais problemas a maquiagem de desconto (28,3%), produto / serviço indisponível (26%) e mudança de preço ao finalizar a compra (16,4%). Quarenta e quatro estabelecimentos foram autuados, ou 30% das empresas fiscalizadas. Com tudo isso, as vendas on-line atingiram um total de R$ 1,6 bilhão no ano passado, de acordo com dados da e-Bit, empresa especializada no comércio eletrônico brasileiro. Para este ano, a e-Bit, prevê um crescimento de 30%, se a crise não atrapalhar muito.

Precauções

Como se prevenir de #compras mal feitas? A maior arma do consumidor é o planejamento.

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Nada, portanto, de compras por impulso. É preciso fazer uma lista conscienciosa dos aparelhos ou artigos a adquirir. E, a partir dessa lista, pesquisar exaustivamente. Todas as grandes lojas têm sites na internet e informam se estão participando (ninguém perde a chance) da promoção Black Friday. Ali se encontram os preços e porcentagem e valor do desconto. Use sites de comparação de preços — é só procurar na internet.

Pesquise, faça uma lista e, assim, você pode definir onde comprar. Lembre-se, também, de comparar esses preços com os valores correntes de venda, o que pode ser verificado nos sites dos Procons. As chances de se arrepender de uma compra malfeita serão, certamente, bem menores. #Economia