Na esteira das mais recentes eleições municipais, onde o discurso do candidato que diz não ser político foi regiamente recompensado nas urnas, a constatação foi geral: o brasileiro está desiludido com a política e não quer nem ouvir falar de políticos. Mas e se esse político for o sempre polêmico Paulo Salim Maluf? Uma lanchonete em Campos do Jordão, a #pastelão do Maluf, está driblando a crise econômica e faturando alto.

A pastelaria, que surgiu em 1999 com o nome Pastelão 46 e conseguiu atrair vários famosos (a ponto de, segundo o site do empreendimento, também ser chamado de Pastelão dos Artistas), inclusive o ex-governador e ex-prefeito, hoje deputado pelo estado de São Paulo, adotou o nome atual em 2004 (o site do estabelecimento conta até com uma foto do político segurando um gigantesco pastel, especialidade da casa).

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O sócio-diretor Almeida Duarte explica: “tinha gente que perguntava sobre a pastelaria e respondiam que era onde o Maluf comia. As pessoas apelidaram a loja e nós pegamos carona no nome que eles já tinham dado."

A carreira controversa do político paulista, marcada por atitudes polêmicas como ter dito a frase “estupra, mas não mata” e ter premiado os jogadores da seleção brasileira de futebol tricampeã do mundo com Fuscas novos em 1970, e assombrada por inúmeras denúncias de corrupção, serviu para atrair a atenção pública para o estabelecimento, diz Duarte, que afirma que as vendas melhoraram depois que a lanchonete mudou de nome. “Muitos vão à loja por #Curiosidade e por ele ser polêmico. [A mudança de nome] foi a melhor coisa que a gente fez", diz. Segundo o empresário, seu pai conhecia o político e obteve permissão dele para usar o nome, mas esta é a única relação entre Maluf e o estabelecimento.

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Ricardo Calil, gerente do Sebrae-SP em Guaratinguetá, ouvido pelo site UOL, disse que é preciso tomar cuidado com o uso do nome de famosos, que podem não concordar e criar custosas dificuldades legais (bastar lembrar, num caso beirando o absurdo, do processo movido pelo cantor Roberto Carlos contra dois donos de imobiliária, um no seu Espírito Santo natal, outro na Paraíba, que se chamavam Roberto Carlos e usaram seus próprios nomes para nomear suas empresas) ou cobrar um preço muito alto para ceder o nome. No caso específico dos políticos, há também a questão da repulsa à atividade política, as suspeitas que possam rondar o personagem escolhido (é bom lembrar que na campanha presidencial de 1960, nos EUA, a pergunta “você compraria um carro usado deste homem?”, distribuída amplamente como legenda de um desenho do seu rosto pelos defensores da candidatura do adversário, Kennedy, ajudou a derrotar Richard Nixon, tido por muitos com desonesto) e o temor dos possíveis clientes de que o estabelecimento esteja envolvido em práticas corruptas.

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Como a associação entre a pastelaria e o político foi espontânea, estabelecida pela própria população e baseada na frequência do hoje deputado ao local, isso ajudou, diz o especialista.

Como aponta Calil, é muito útil para um negócio ter um diferencial em relação aos concorrentes. O do #Pastelão do Maluf são os pastéis de 35 centímetros (preço começando em R$ 18,50 para os pastéis salgados e o das versões doces começando em R$ 17,50). A lanchonete tem dois pontos funcionando atualmente: o original, com capacidade para 100 pessoas, e um aberto em 2013 na frente do original, com capacidade para 400 pessoas.