Contrariando a expectativa da classe trabalhadora brasileira, o presidente Michel Temer assinou nesta quinta-feira, 29, um decreto que determina o "congelamento" do valor real (aumento acima da inflação) do #Salário mínimo dos brasileiros. O salário, que hoje é de R$ 880, passará a ser de R$ 937 a partir de 1º de janeiro. Apesar do aumento nominal, na prática o poder de compra dos brasileiros diminuirá, uma vez que o aumento de R$ 57 apenas cobre a inflação de 2016, que deve ser de 6,47%, de acordo com o próprio governo. Isto significa que em 2017 o trabalhador que depende do mínimo terá de apertar os cintos e comprar ainda menos bens e alimentos.

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É a primeira vez, desde 1998, que o salário perderá poder de compra, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese). Entre 2002 e 2016 o salário mínimo aumentou 77,18% acima da inflação, passando de R$ 200 para R$ 880. O aumento dado por #Temer neste ano, portanto, é de 0,0%.

Temer surpreende até os próprios aliados

O congelamento do salário mínimo surpreendeu até mesmo os aliados de Michel Temer. Isso porque o Congresso Nacional havia aprovado às pressas, no último dia 15 de dezembro, um aumento real (embora pequeno) do valor. Na ocasião o Congresso estabeleceu um salário mínimo de R$ 945,80. Vale ressaltar que a inflação prevista para 2017 é de 4,8%.

Justificativa do governo

O Ministério do Planejamento explicou ao G1 o motivo da redução do salário.

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De acordo com a entidade, o salário terá aumento nominal menor do que o previsto porque a inflação de 2016 também será menor que a prevista. A nota do Ministério, entretanto, não aborda os impactos do congelamento dos salários na vida dos trabalhadores.

De quanto deveria ser?

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos (Dieese), o salário mínimo brasileiro deveria ser de R$ 3.940,41. Este é o valor considerado suficiente para sustentar uma família de quatro pessoas. De acordo com a Constituição, o salário mínimo dever se suficiente para cobrir os gastos das famílias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene e transporte, dentre outros itens.