As dificuldades que o ramo naval no Brasil está passando nos dias atuais começaram no ano de 2015 quando em função das crises econômicas e políticas, as operações no setor pararam com efeito direto na renovação de contratos, posteriormente na geração de empregos.

De acordo com a SINAVAL, o seguimento industrial offshore e naval tinha oportunidades para cerca de oitenta e dois mil profissionais em 2014. Em 2015, a crise já começava a ficar mais forte, de modo claro, tanto que o número de vagas oferecidas no setor caíram para cinquenta e sete mil, sendo que no período entre janeiro e junho do mesmo ano essa subtração era de 7 mil.

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Sendo mais claro, em 2 anos, praticamente a metade das vagas no setor sumiram em função da crise.

Estudiosos ressaltam que o seguimento petrolífero foi pego de um jeito que ninguém esperava, principalmente a Petrobras, que em suma era gestora e requisitante de contratos. Os fatores que quebraram a BR foram a redução no valor do barril de petróleo, corrupção e a repercussão das investigações da Lava Jato.

O valor em que está hoje o barril de petróleo é o grande vilão, na verdade, porque pegou de surpresa todas as grandes petroleiras mundiais. Por volta do ano de 2012, havia poucas flutuações no preço que ficavam às margens de oitenta a cem dólares. Já em 2016, o preço estava entre vinte e cinco e trinta e dois dólares.

O ex-presidente da BR, Sergio Gabrielli, afirmou que a Lava Jato atingiu de forma grave o setor de matérias primas que, por sua vez, afetou o seguimento offshore e a cadeia produtiva do óleo crú, arrastando todos os fornecedores para problemas de crédito em estaleiros.

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Gabrielli ainda enfatiza que a questão da corrupção, ao invés de ser tratada como causa de polícia, é feita em forma de politicagem, que não surte qualquer tipo de efeito prático.

Brasil já enfrentou outras crises

Entre 1960 e 1970, o Brasil passou pela ditadura militar, quando não existia democracia, mas a #Política de desenvolvimento era mantida com incentivo industrial.

Nos anos 90, com Fernando Henrique Cardoso a frente do país, os investimentos foram para 15%. Já no mandato de Lula e Dilma, bem ou mal, eles maximizaram esse valor para 65% para conteúdo local, apesar das multinacionais sempre burlarem essa politica.

Gabrielli está muito preocupado com o momento que o país vive no momento, porque se as decisões certas não forem tomadas com sabedoria, dificilmente o Brasil irá se recuperar dessa crise. Ele cita como exemplo a venda de 66% do campo de Carcará para a Statoil, em julho de 2016.

Como a BR, aos poucos, está deixando suas operações para outras petroleiras, cada uma delas terá autonomia para fabricar ou importar sondas de qualquer lugar que não seja no Brasil, o que é péssimo para a industria naval e offshore, já que muitos estaleiros estarão sem demanda de serviços. Ainda há o problema do custo operacional alto no território nacional que inclina mais ainda as empresas para buscarem recursos fora daqui. #Economia